Como antecipado por esta coluna no dia 12 de março, a deputada federal Geovania de Sá…
EFEITO JORGINHO MELLO: JUNTOU PL, REPUBLICANOS E PODEMOS E DIVIDIU OS ADVERSÁRIOS
A frase “dividir para conquistar” é atribuída ao imperador romano Júlio César, que estimulava divisões entre seus inimigos para ampliar o domínio territorial. Bastante utilizada no meio político, ela se tornou uma das estratégias mais eficientes — e baratas — para reduzir o custo de uma campanha eleitoral.
Essa estratégia vem sendo aplicada pelo governador Jorginho Mello (PL) desde o momento em que conteve as diversas “pequenas crises internas” dentro do próprio partido, provocadas pela disputa por vagas ao Senado e até mesmo pela indicação ao cargo de vice. O governador encerrou as especulações ao anunciar uma chapa majoritária definida, com Carlos Bolsonaro (PL) e Carol De Toni (PL) ao Senado, e o prefeito Adriano Silva (Novo) como vice.
De quebra, conseguiu pacificar o PL e neutralizar críticas de que haveria presença de figuras alinhadas à esquerda em seu entorno, especialmente após manifestações do ex-deputado federal Eduardo Bolsonaro (PL).
O governador também atuou para fortalecer o Republicanos como segunda alternativa partidária para abrigar aliados, mantendo o Podemos por perto, além da deputada Paulinha, que deve disputar uma vaga na Câmara dos Deputados. Mesmo com a saída de dois deputados do Podemos — Camilo (para o PL) e Lucas Neves (para o Republicanos) —, a promessa de manter o partido como terceiro aliado fortalece a montagem de chapas competitivas tanto para a Câmara Federal quanto para a Assembleia Legislativa.
MDB TENTA SE RECOMPOR
O discurso para retirar o MDB da vaga de vice já estava pronto: a divisão nacional da sigla, com setores alinhados ao PT de Lula, poderia gerar constrangimentos na eleição de outubro. Assim, sem grandes cerimônias, o governador deixou Carlos Chiodini fora da composição, mantendo, no entanto, parte do MDB integrada ao governo.
Jorginho Mello manteve deputados próximos e reforçou a relação com prefeitos por meio da liberação de recursos e promessas de obras. O movimento deixou o MDB desorientado, “mais perdido que biruta de aeroporto”.
Mesmo dividido entre apoiar o governador ou buscar uma alternativa própria, o fato é que o desgaste já ocorreu. Para evitar um cenário de enfraquecimento, o partido passou a ouvir suas bases, onde cresce o desejo por candidatura própria. Fora da chapa majoritária, lideranças avaliam que a ausência pode significar perda de representação eleitoral.
Surge então uma segunda alternativa: compor com João Rodrigues (PSD), indicando o vice e garantindo espaço ao Senado. Ainda assim, o MDB pretende adiar uma decisão até o período das convenções, o que abre margem para novas investidas do governo na tentativa de atrair aliados.

Hoje, parte do MDB tende a apoiar Jorginho já no primeiro turno, enquanto outra parcela pode migrar em um eventual segundo turno. Fora da majoritária, o partido corre o risco de reduzir sua bancada atual de três deputados federais e seis estaduais.
TOPÁZIO TOPOU SAIR
Dentro da lógica de “dividir para conquistar”, a fragmentação do PSD representa um ganho estratégico para o governador neste momento decisivo de janela partidária e prazos de filiação.
A crise interna que culminou com a saída do prefeito Topázio Neto — que deixou o partido fazendo críticas públicas — envolveu inclusive o ex-governador e senador Jorge Bornhausen. Com o aval do presidente nacional Gilberto Kassab, o PSD tenta conter os danos.
Enquanto isso, o prefeito de Chapecó, João Rodrigues (PSD), mantém firme a intenção de disputar o governo do Estado.
AMIN SEGUROU O PP
A tentativa de dividir o Progressistas, que ocupa espaços no governo estadual, quase teve êxito. O partido chegou a deliberar internamente e demonstrou amplo apoio à aliança com Jorginho.
No entanto, a direção nacional interveio: Leodegar Tiscoski foi retirado do comando estadual, e o senador Esperidião Amin assumiu a condução do partido em Santa Catarina. O futuro do PP, contudo, ainda depende de alinhamento com o União Brasil.
JOGO ABERTO, CHANCE DE SEGUNDO TURNO
Neste cenário, MDB, PP e União Brasil permanecem em aberto, o que pode favorecer a candidatura de João Rodrigues (PSD) e também de Gelson Merisio, que deve disputar o governo pelo PSB, com apoio de PDT, PT e PSOL/Rede.
O jogo está longe de definido. Como diz o ditado: jogo é jogo, treino é treino.



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