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Santa Catarina no radar dos presidenciáveis; movimentações e muito mais

Santa Catarina está no radar dos presidenciáveis por alguns motivos, especialmente para o PL e a família Bolsonaro. O ex-presidente Jair Bolsonaro, frequentemente criticado por não ter destinado recursos para grandes obras durante o período em que governou o Brasil (2019-2022), sempre manteve forte relação com o estado. Costumava visitar Santa Catarina com frequência, inclusive hospedando-se algumas vezes na casa do amigo e ex-deputado federal Coronel Armando, hoje no PP, no Norte do estado. Além disso, teve participação importante nas eleições de Carlos Moisés em 2018 e de Jorginho Mello em 2022.

Os Bolsonaro também construíram outras relações em Santa Catarina, estado que sempre os recebeu bem. Antes de buscar uma vaga ao Senado catarinense, o vereador carioca Carlos Bolsonaro já frequentava clubes de tiro e mantinha contato com políticos alinhados ao seu campo ideológico. Já Jair Renan Bolsonaro frequentava o Sul do estado antes mesmo de ser eleito vereador em Balneário Camboriú, devido ao relacionamento com uma moradora de Turvo. Agora, deve disputar uma vaga à Câmara Federal pelo PL utilizando o nome de urna “Jair Bolsonaro”. O histórico das duas últimas eleições, com cerca de 70% do eleitorado catarinense votando em candidatos do campo da direita, indica que há espaço político para isso.

 

Laços de família

Além da afinidade política, a família Bolsonaro também sempre foi muito bem acolhida pelo governador Jorginho Mello em Santa Catarina. Há gratidão política envolvida. Foi impulsionado pela “onda 22” que Jorginho venceu com ampla margem em 2022.

Letícia Firmo, filha da atual primeira-dama Michelle Bolsonaro, foi nomeada para um cargo de confiança como assistente de gabinete na Secretaria de Articulação Nacional, em Brasília. Já Igor Matheus Modtkowski, namorado de Letícia, assumiu cargo no gabinete do senador Jorge Seif. Os movimentos reforçam a proximidade entre o PL catarinense e o clã Bolsonaro.

 

Fator MDB, PP e Novo

Jorginho Mello caminhava para a eleição com o MDB encaminhado para a vaga de vice e o PP ocupando a segunda candidatura ao Senado, com Esperidião Amin. O cenário começou a mudar com a entrada de Carlos Bolsonaro nas articulações políticas, pressionando pela indicação da deputada federal Carol de Toni ao Senado.

A reação dentro do PL acabou atingindo Amin, que perdeu espaço na composição. Em seguida, Jorginho promoveu outra mudança estratégica: retirou o MDB da vice e aproximou o prefeito de Joinville, Adriano Silva, do Novo, deixando o MDB sem definição e ampliando a divisão dentro do PP, atualmente federado ao União Brasil.

 

Fator Banco Master

O cenário parecia estabilizado até que o senador Flávio Bolsonaro passou a enfrentar desgaste após declarações sobre a relação com Daniel Vorcaro, ligado ao caso Banco Master. Durante passagem por Santa Catarina, surgiram manifestações e camisetas associando o tema ao bolsonarismo.

Enquanto isso, o governador de Minas Gerais, Romeu Zema, possível presidenciável do Novo, classificou como “imperdoável” a postura de Flávio. O episódio acendeu alerta em Santa Catarina, especialmente pela aliança entre PL e Novo. Jorginho precisou atuar para evitar desgaste maior na relação com o partido de Adriano Silva.

Mesmo após nova visita ao estado, Zema manteve o tom crítico e voltou a cobrar explicações públicas sobre a relação entre Flávio Bolsonaro e Vorcaro. O episódio passou a ser visto como um fator de tensão nacional e estadual entre PL e Novo.

 

The Intercept Brasil

O portal The Intercept Brasil esteve no centro de algumas das principais crises políticas recentes envolvendo a direita brasileira. O site revelou mensagens trocadas entre Sergio Moro e Deltan Dallagnol durante a Operação Lava Jato, episódio que ficou conhecido como “Vaza Jato”.

Também foi o portal que publicou informações relacionadas ao caso dos respiradores durante o governo Carlos Moisés, crise que levou o então governador a enfrentar processo de impeachment.

Mais recentemente, o veículo trouxe informações sobre supostos repasses relacionados ao financiamento do filme “Dark Horse”, produção ligada ao universo bolsonarista.

 

 

Espécie de “holding”

Denúncias divulgadas pela imprensa apontaram um suposto esquema de repasses de emendas parlamentares para entidades ligadas a Karina Ferreira da Gama, como o Instituto Conhecer Brasil e a Associação Nacional de Cultura. As entidades teriam ligação com a produtora Go Up Entertainment, responsável pelo filme “Dark Horse”. Parte dos recursos teria sido destinada ao financiamento da produção audiovisual, ampliando a repercussão política do caso.

 

Frias em Santa Catarina

Um dos nomes envolvidos na produção do filme é o deputado federal Mario Frias. A relação de Frias com Santa Catarina vem desde 2018, quando participou da campanha de Daniel Freitas à Câmara Federal, atuando na produção de conteúdo audiovisual. Na época, esteve inclusive em eventos políticos em Araranguá.

 

Restante da direita

O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, adotou postura mais cautelosa sobre o caso envolvendo Flávio Bolsonaro e o Banco Master. Em Santa Catarina, ao lado do prefeito de Chapecó, João Rodrigues, limitou-se a defender esclarecimentos públicos.

João Rodrigues, por sua vez, evita ampliar conflitos e concentra críticas ao ex-deputado Gelson Merisio e ao governador Jorginho Mello. Já Renan Santos, que recentemente esteve em Santa Catarina, tem adotado discurso duro contra Flávio Bolsonaro.

 

MDB com Amin

O deputado federal Rodrigo Coelho declarou apoio ao senador Esperidião Amin para o Senado em 2026. Ligado historicamente ao grupo político do ex-governador Luiz Henrique da Silveira, Rodrigo afirmou que será a primeira vez, em 30 anos como eleitor, que votará em Amin. O parlamentar destacou a experiência, a trajetória sem escândalos e a necessidade de nomes independentes no Senado diante do atual cenário nacional.

 

Carol e Amin

Já o deputado federal Gilson Marques deixou claro que prefere uma composição com Carol de Toni e Esperidião Amin ao Senado. Declarações desse tipo dificultam o esforço de Jorginho Mello para manter o Novo próximo do PL.

Enquanto isso, o governador segue sinalizando aproximação com MDB e PP, tanto que indicou Leodegar da Cunha Tiscoski para a Secretaria de Indústria, Comércio e Serviço.

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