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SANGUE NAS MÃOS: Santa Catarina registrou 52 feminicídios em 2025; Criciúma lidera ranking estadual

Reportagem EXCLUSIVO POST TV : Natália Silveira

Em 2025, Santa Catarina registrou a marca alarmante de 52 mulheres mortas vítimas de feminicídio. O número, que representa uma vida interrompida a cada sete dias no estado, mantém um patamar crítico que oscila entre 25 e 52 casos anuais desde a sanção da lei em 2015. Para analisar este cenário, a Post TV consultou a especialista em feminicídio, Dra. Maria Aparecida Casagrande , e a delegada titular da DPCAMI de Araranguá, Eliane Chaves , que avaliaram os impactos das políticas públicas e o perfil da violência na região Sul.

Contraste Regional: O silêncio em Araranguá e o alerta em Criciúma
Os dados apurados pela reportagem revelam realidades distintas no Sul catarinense. Criciúma encerrou o ano de 2025 como uma cidade com o maior número de feminicídios em todo o estado, com seis mulheres assassinadas. Na região da AMREC, todos os óbitos por esta causa ocorreram no município criciumense.

No sentido oposto, Araranguá chamou a atenção por não registrar nenhum feminicídio no último ano, uma redução significativa em comparação a 2023, quando houve registros de mortes. Entretanto, a ausência de óbitos não significa ausência de violência: o município é o quinto do estado em pedidos de prisão por violência doméstica.

A delegada Eliane Chaves destaca que, embora não tenha sorte de mortes consumadas em Araranguá, foram computadas quatro tentativas de feminicídio. “Tentativas são casos onde uma vítima sobreviveu por situações alheias à vontade do agressor. O tema ainda inspira muitos cuidados” , pontua a delegada.

O Perfil da Violência: Dentro de casa e com crueldade
Uma Dra. Maria Aparecida Casagrande define o feminicídio como um crime de ódio e misoginia, muitas vezes marcado pela “pedagogia da crueldade”.

“Não basta ser morta; a mulher tem que ser desfigurada e destruída. Observamos isso na quantidade excessiva de facadas ou tiros” , explica o especialista.

Os dados estatísticos reforçam que o perigo reside no ambiente doméstico:

82% dos casos ocorrem dentro de casa.

33% dos autores são ex-companheiros.

17% dos autores são companheiros atuais.

Horário crítico: Entre 20h e meia-noite.

Subnotificação e Rede de Proteção
O volume de ocorrências de violência doméstica é ainda mais expressivo que o de mortes. Santa Catarina registrou 107.923 boletins de ocorrência em 2025. Na região:

Criciúma: 2.714 registros.

Araranguá: 1.352 registros.

Tubarão: 1.827 registros.

Para a delegada Eliane Chaves, o aumento nos registros oficiais e nos pedidos de medidas protetivas (foram 37.087 transações no estado) é visto como um sinal positivo de confiança nas instituições. “Mais de 70% dos casos são subnotificados. O aumento nos registros formalizados é bem-vindo porque indica que as vítimas estão mais informadas e confiando na rede de proteção” , afirma.

Além da Punição: O Desafio da Educação
Apesar do rigor da lei e das prisões, os especialistas concordam que a proteção isolada não reduz os índices. Uma Dra. Maria Aparecida ressalta a dificuldade de romper com a cultura patriarcal e a falta de independência emocional e financeira das vítimas.

“A lei sozinha não basta. Precisamos colocar força na educação. Se a discussão sobre violência e gênero é proibida ou encontra barreiras para entrar nas escolas, como vamos enfrentar esse problema?” , questiona Casagrande, alertando para o “genocídio de mulheres” e o impacto na garantia social, como o número de crianças órfãs.

Os dados apresentados nesta reportagem compreendem o cenário registrado até o dia 21 de janeiro de 2026 .

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