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Consórcio de saúde do Sul transforma atendimento e gera economia milionária para municípios

No programa Post Notícias desta quarta-feira (01/07), os apresentadores Everaldo e Natália receberam na Post TV o Diretor Executivo do CIS-AMREC, Roque Salvan. Na pauta, o gestor explicou o funcionamento do Consórcio Intermunicipal de Saúde que hoje unifica o atendimento de 27 municípios das regiões da AMREC (Associação dos Municípios da Região Carbonífera) e da AMESC (Associação dos Municípios da Região do Extremo Sul Catarinense).

 

Além de detalhar a expressiva eficiência financeira gerada pelo volume de compras conjuntas, Salvan atualizou os ouvintes sobre a recente conquista junto à Assembleia Legislativa de Santa Catarina (ALESC) para o ressarcimento de repasses de alta complexidade devidos pelo Estado.

 

O que é o Consórcio de Saúde e Como Funciona?

 

Roque Salvan define o consórcio de forma simples e direta para o público

“O Consórcio de Saúde é uma autarquia, uma entidade pública que pertence aos próprios municípios. Eu sempre digo que nada mais somos do que um escritório de compras. Nós unificamos o poder de compra dos municípios para adquirir medicamentos, insumos e procedimentos por preços muito abaixo do mercado, garantindo um atendimento digno e ágil.”

 

Números e Serviços em Destaque:Itens Disponíveis: Uma carta de produtos contém cerca de 2.700 itens cadastrados para suprir as secretarias municipais.Volume de Atendimentos: Somente no ano de 2025, o consórcio atendeu 346 mil pacientes . Nos últimos três anos, foram realizados mais de 1.800.000 procedimentos , incluindo exames de alta tecnologia como ressonâncias magnéticas, cateterismos e ultrassons.Ações de Saúde: O CIS-AMREC atua hoje em 40 frentes de serviços que vão além de consultas, englobando tratamento domiciliar de feridas para pacientes acamados, fornecimento de fraldas, exames de medicina do trabalho, transporte especializado de pacientes acamados/especiais (MOP) e fornecimento de ambulâncias particulares credenciadas para suprir picos de demanda municipal.

 

Logística Humanizada

 

O diretor enfatizou que os pacientes encaminhados via consórcio recebem tratamento diferenciado. No Hospital São José, em Criciúma, por exemplo, os pacientes do consórcio são coletados na ala de convênios/particulares, e não nas filas convencionais de espera do SUS.Outro avanço foi a descentralização logística. Para evitar que um paciente do município de Praia Grande precise se deslocar até Criciúma ou Araranguá para um exame de ultrassom, o consórcio credenciado em hospitais locais (como o Hospital Nossa Senhora de Fátima, de Praia Grande). Dessa forma, o cidadão faz o procedimento na própria cidade, economizando recursos de transporte da prefeitura.

 

O Poder da Economia de Escala

 

Com exemplo do Rivotril e Fórmulas Infantis Para ilustrar a vantagem financeira, Salvan citou exemplos práticos de ganho em escala fornecidos pelos preços eletrônicos diretos com grandes laboratório.

 

Demandas Judiciais

 

O consórcio unificado as compras de fórmulas infantis especiais (leites caríssimos demandados via decisões judiciais). Um lote que custou R$ 18 milhões se comprado individualmente pelas prefeituras foi adquirido de forma unificada por R$ 4 milhões junto a marcas renomadas (como a Nestlé).

 

Medicamento de Alto Giro

 

Um frasco de Rivotril em gotas, que nas farmácias comerciais não custa menos de R$ 15,00, é comprado pelo consórcio por apenas R$ 1,84 direto do laboratório Medley.

 

Luta por Ressarcimento Financeiro Junto ao Estado

 

O ponto central e mais político da entrevista girou em torno do subfinanciamento da mídia e de alta complexidade, que por lei é obrigação do Governo do Estado, mas acaba sendo bancado pelos municípios para evitar que o cidadão espere meses na fila do SISREG.

 

O Descompasso dos Valores

 

No ano de 2024, o CIS-AMREC investiu R$ 69 milhões em procedimentos que eram de competência estadual. Desse total, o Estado devolveu apenas R$ 2,3 milhões para a região (dentro de um bolo de R$ 30 milhões rateados entre os 14 consórcios de saúde de SC). Em 2025, o investimento direto das prefeituras chegou a R$ 89 milhões.

 

Vitória na ALESC

 

Diante do cenário, os 14 consórcios catarinenses realizaram uma associação unificada e, com apoio do Fórum Parlamentar Permanente da ALESC e da FECAM (Federação Catarinense de Consórcios, Associações e Municípios), conquistaram um compromisso financeiro do Estado em audiência pública realizada na semana anterior. O Governo de SC assumiu o compromisso de repassar R$ 40 milhões ainda em 2026 e R$ 50 milhões em 2027 para oxigenar as contas dos consórcios.

 

Emendas Parlamentares

 

Salvan confirmou que o Estado ajuda indiretamente por meio de repasses de emendas impositivas dos deputados. Atualmente, há R$ 34 milhões em emendas tramitando no consórcio para custeio de saúde na região Sul. Além disso, o orçamento estadual do próximo ano prevê R$ 600 milhões carimbados para emendas de custeio à saúde dos municípios catarinenses.

 

Sobrecarga dos Municípios e o Teto Constitucional

 

O diretor alertou para o fato de que as prefeituras estão operando no limite de suas capacidades financeiras para cobrir os buracos da alta complexidade. Embora o limite mínimo constitucional de investimento municipal em saúde seja de 15%, os 27 municípios do Sul estão aplicando entre 22% e 30% de suas receitas próprias na área. Em contrapartida, o Estado, que por lei deveria aplicar no mínimo 14% (teto atualizado recentemente pela ALESC, antes estabelecido em 12%), permanece estagnado exatamente no piso de 14%.

 

A Transição do CISAMESC para o CIS-AMREC

 

Salvan explicou o processo histórico de transição que fez o CIS-AMREC absorver os 15 municípios que antes compunham o antigo CISAMESC a partir de 2020, foi colapso anterior. Durante o início da pandemia, municípios como Morro Grande procuraram o CIS-AMREC pois estavam desassistidos e sem medicamentos devido a uma grave crise administrativa e financeira no consórcio do Extremo Sul (CISAMESC). Em nove meses, todas as 15 prefeituras migraram para a gestão unificada do CIS-AMREC.

 

Modelos de Gestão Diferentes

 

O antigo modelo do CISAMESC mantinha funcionários terceirizados com carteira assinada diretamente no consórcio para prestar serviços nas prefeituras (razão pela qual a autarquia antiga ainda não foi juridicamente extinta, para liquidar passivos e contratos de folha).

 

O CIS-AMREC não adota essa prática

 

“Nossos únicos funcionários registrados são da equipe administrativa enxuta. Os profissionais médicos e não são contratados, eles se credenciam via licitação e precisam possuir CNPJ próprio”, explicou Roque.

 

Transparência

 

Hoje, grandes municípios como Araranguá, Sombrio e Içara são fortes compradores do consórcio, enquanto municípios menores como Ermo e Treviso realizam 100% de suas compras de saúde pela plataforma do CIS-AMREC. Todos os dados contratuais e financeiros estão auditados e disponíveis no Portal da Transparência e validados pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE).

 

Ao final da entrevista, Roque Salvan agradeceu o espaço e prometeu retornar em breve para anunciar oficialmente o próximo grande projeto tecnológico do consórcio na região: a implementação do sistema unificado de Telemedicina.

 

Entrevista completa no link:

https://youtube.com/live/7Z85EE2HAZA?feature=share

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