Estudantes do curso de Engenharia da Computação da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC) – Campus…
Post Notícias: Segurança Digital e os perigos do Discord
No quadro de Segurança Digital do programa Post Notícias, da Post TV, a apresentadora Natália conversou com o policial civil Robson Silva sobre o funcionamento do Discord, os riscos do uso da plataforma por crianças e adolescentes sem supervisão e as medidas regulatórias adotadas no Brasil diante de problemas relacionados à proteção de menores no ambiente digital.
O que é o Discord e por que ele atrai os jovens?
Plataforma de comunicação, não de jogos
Robson explicou que o Discord não é uma plataforma de jogos propriamente dita, mas um serviço de comunicação por voz, texto e transmissão de vídeo ao vivo. O aplicativo é bastante utilizado por gamers para interagir enquanto jogam em outras plataformas.
O serviço permite a criação de servidores, que funcionam como comunidades virtuais. Dentro deles, também podem existir grupos mais restritos, chamados durante a entrevista de “panelas”, cujo acesso depende da aprovação direta do administrador ou criador da comunidade.
Embora o Discord também seja utilizado para trabalho, estudos e interações comunitárias, Robson chamou atenção para os riscos associados a ambientes fechados quando não existe acompanhamento adequado das atividades realizadas pelos usuários.
Abusos e conteúdos ilícitos
Durante o programa, Robson destacou que algumas dessas comunidades podem ser utilizadas para a circulação e incentivo a conteúdos e práticas graves, incluindo automutilação, indução ao suicídio, maus-tratos contra animais, pornografia e exposição não consentida de menores.
O policial também demonstrou como grupos do Telegram e servidores do Discord podem estabelecer conexões entre si. Segundo o que foi apresentado durante o programa, redes abertas como TikTok e Instagram podem servir como porta de entrada para ambientes mais fechados, nos quais os usuários são direcionados a servidores ou grupos com conteúdos potencialmente perigosos.
A entrevista também mencionou o caso de uma adolescente do Mato Grosso do Sul que morreu por suicídio em uma transmissão ao vivo realizada pelo Discord, episódio utilizado como exemplo dos riscos associados à ausência de mecanismos de moderação capazes de agir rapidamente diante de situações graves.
ANPD determina suspensão de transmissões ao vivo
Em 12 de agosto de 2026, a Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) determinou preventivamente que o Discord suspendesse, no Brasil, as transmissões ao vivo e recursos equivalentes de compartilhamento de vídeo.
A medida foi adotada no contexto de uma fiscalização sobre as práticas da plataforma relacionadas à proteção de crianças e adolescentes e deverá permanecer até que sejam demonstradas medidas consideradas efetivas para enfrentar os riscos identificados.
A determinação não significou o bloqueio completo do Discord. Outras funcionalidades da plataforma permaneceram disponíveis, incluindo recursos de comunicação por texto e áudio.
A ANPD também passou a apurar questões relacionadas à verificação de idade e aos mecanismos de proteção de crianças e adolescentes utilizados pela plataforma.
Teste demonstra facilidade de acesso a ambientes suspeitos
Durante o Post Notícias, também foi apresentado um experimento realizado por uma organização voltada à fiscalização de grandes empresas de tecnologia.
No teste, um adulto criou uma conta simulando ser um adolescente de 13 ou 14 anos, utilizando o ano de nascimento de 2012.
Segundo o experimento apresentado no programa, o cadastro foi realizado sem validação facial ou autorização dos responsáveis, sendo necessário apenas confirmar um endereço de e-mail.
A conta conseguiu, em poucos minutos, acessar servidores considerados suspeitos, incluindo ambientes com links direcionando para o Telegram e transmissões contendo violência implícita ou explícita.
O caso foi utilizado durante a entrevista para demonstrar os desafios relacionados à verificação de idade e à capacidade das plataformas de impedir o acesso de menores a comunidades potencialmente perigosas.
Como proteger crianças e adolescentes?
Limitações das punições financeiras
Robson Silva avaliou que somente a aplicação de multas financeiras às grandes empresas de tecnologia nem sempre é suficiente para provocar mudanças efetivas.
Segundo o policial, os valores das multas podem representar pouco impacto para grandes corporações. Por isso, medidas mais severas, como a suspensão de determinadas funcionalidades, podem ser necessárias quando as plataformas não conseguem demonstrar mecanismos adequados de proteção.
Ele também ressaltou que a velocidade de transformação da internet representa um desafio para o Estado, já que o desenvolvimento de novas plataformas, ferramentas e comunidades digitais ocorre em ritmo acelerado.
Controle parental ativo
Para Robson, a proteção das crianças e adolescentes não pode depender exclusivamente das empresas ou das autoridades.
O policial alertou que os responsáveis não devem ter uma falsa sensação de segurança pelo simples fato de o filho estar dentro de casa, utilizando o celular ou o computador no próprio quarto.
O acompanhamento ativo das atividades virtuais, o uso de ferramentas de controle parental e o diálogo constante são apontados como medidas importantes para identificar situações de risco.
Além de conhecer os aplicativos utilizados pelos filhos, os responsáveis devem procurar compreender como funcionam as comunidades e ferramentas disponíveis nessas plataformas.
Proteção exige ação conjunta
A discussão apresentada no Post Notícias reforçou que a proteção de crianças e adolescentes no ambiente digital depende da atuação conjunta de diferentes setores.
Agências reguladoras, plataformas digitais, forças de segurança, escolas e famílias possuem responsabilidades complementares na prevenção de crimes e na redução dos riscos aos quais crianças e adolescentes podem estar expostos na internet.
Para Robson Silva, além das medidas adotadas pelo poder público e pelas empresas de tecnologia, a participação dos responsáveis é fundamental. Informação, acompanhamento e diálogo podem ajudar a identificar comportamentos suspeitos e situações de perigo antes que elas evoluam para consequências mais graves.
O quadro de Segurança Digital integra a programação do Post Notícias e busca levar ao público informações sobre golpes, crimes virtuais, novas tecnologias e cuidados necessários para uma utilização mais segura da internet.


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