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Morre aos 88 anos Manoel Dias, fundador do PDT e ex-ministro de Dilma Rousseff
Líder histórico do trabalhismo catarinense morreu neste sábado (22), em Florianópolis; natural de Içara, teve trajetória marcada pela luta política, pela resistência à ditadura e pela construção do PDT
Morreu na noite deste sábado (22), em Florianópolis, aos 88 anos, Manoel Dias, um dos fundadores do Partido Democrático Trabalhista (PDT), ex-ministro do Trabalho e Emprego no governo da presidente Dilma Rousseff e uma das principais referências do trabalhismo em Santa Catarina e no Brasil.
A causa da morte não foi divulgada. Manoel Dias estava hospitalizado após o agravamento de seu estado de saúde e havia sofrido um acidente vascular cerebral (AVC) em 2025.
Natural de Içara, no Sul de Santa Catarina, Manoel Dias iniciou sua trajetória política em 1962, quando foi eleito vereador pelo PTB. Após o golpe militar de 1964, teve o mandato cassado e chegou a ser preso.
Em 1965, participou da fundação do MDB em Santa Catarina. No ano seguinte, foi eleito deputado estadual para a legislatura de 1967 a 1971. Em 1969, após a edição do AI-5, voltou a ter o mandato cassado.
Durante o período de perseguição política, graduou-se em Direito pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), em 1970, e passou a atuar como advogado em Criciúma.
Com a anistia, em 1979, mudou-se para Florianópolis e passou a atuar na reorganização do movimento trabalhista. No início dos anos 1980, participou da fundação do PDT, ao lado de Leonel Brizola e outras lideranças.
Ao longo das décadas seguintes, Manoel Dias ocupou diferentes funções na estrutura partidária. Presidiu o PDT em Santa Catarina e disputou eleições para deputado estadual, governador e vice-governador.
Na década de 1990, integrou o governo de Leonel Brizola no Rio de Janeiro, onde foi diretor do Banco do Estado do Rio de Janeiro (Banerj).
Ex-ministro de Dilma
Em março de 2013, Manoel Dias assumiu o Ministério do Trabalho e Emprego, durante o governo da presidente Dilma Rousseff. Permaneceu no cargo até 2014.
Sua passagem pelo ministério também foi marcada por questionamentos envolvendo convênios firmados por uma entidade ligada a Santa Catarina. Na época, o ministério classificou as acusações como infundadas e afirmou que os convênios haviam sido aprovados pelo Tribunal de Contas da União.
Em 2014, uma investigação da Polícia Federal encaminhada ao Ministério Público Federal em Santa Catarina apontou suspeitas relacionadas à contratação de militantes do PDT como funcionários “fantasmas” de uma entidade que havia firmado convênios com o Ministério do Trabalho. As acusações fizeram parte das controvérsias que marcaram o período, mas não alteram o fato de que Manoel Dias construiu uma trajetória política de mais de seis décadas.
Referência histórica do PDT

Manoel Dias permaneceu ligado à direção nacional do PDT e à Fundação Leonel Brizola – Alberto Pasqualini. Documentos oficiais do partido registram sua atuação como secretário nacional e presidente da Fundação.
Para o PDT catarinense, Manoel Dias foi uma das figuras responsáveis pela construção e consolidação do trabalhismo no Estado, mantendo ao longo da vida a defesa da democracia, dos trabalhadores e das bandeiras históricas do partido.
PDT lamenta perda

Em nota oficial, o PDT de Santa Catarina classificou Manoel Dias como “uma das maiores referências da história do trabalhismo catarinense e brasileiro” e destacou sua participação na fundação, construção e consolidação da legenda.
O partido ressaltou ainda a trajetória de resistência de Manoel Dias durante os períodos de perseguição política e afirmou que seu legado permanecerá nas lideranças que ajudou a formar e nas bandeiras que defendeu.
“O PDT se despede de Manoel Dias com respeito, reconhecimento, amor e eterna gratidão. Sua história é parte da nossa história. Seus ideais continuarão presentes em nossa caminhada”, afirmou a legenda.
Rodrigo Minotto: “meu pai político, amigo, companheiro, conselheiro e mestre”
O deputado estadual Rodrigo Minotto (PDT) também lamentou a morte de Manoel Dias e destacou a relação pessoal e política construída ao longo de décadas.

Em nota, Minotto chamou Manoel de seu “pai político, amigo, companheiro, conselheiro e mestre” e afirmou que foi com ele que aprendeu a fazer política com responsabilidade, ética e compromisso.
O parlamentar relembrou experiências compartilhadas com Manoel Dias, incluindo viagens a Brasília, contatos com a Câmara dos Deputados e o Senado e sua primeira viagem internacional.
“Manoel foi daqueles que deixam marcas nas instituições, na política e, principalmente, nas pessoas. E talvez essa seja a forma mais bonita de alguém permanecer: seguir presente nas ideias que plantou, nos valores que transmitiu, nas pessoas que formou e nas causas que ajudou a manter vivas”, declarou Minotto.
Ao finalizar a homenagem, o deputado destacou que a influência de Manoel Dias continuará presente em sua própria trajetória política.
“Sua história seguirá conosco. E a minha caminhada também levará, para sempre, muito do que aprendi com você. Obrigado por tudo e descanse em paz, Manoel!”
Manoel Dias deixa a companheira Dalva, os filhos Rodrigo e Marcelo, noras, netos, familiares, amigos e uma extensa trajetória de participação na política catarinense e brasileira.



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