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Câmara de Maracajá realiza primeira sessão na sede própria após 57 anos e apresenta proposta de tombamento da antiga Prefeitura
A Câmara de Vereadores de Maracajá viveu uma noite histórica nesta terça-feira (9) com a instalação oficial de sua sede própria, localizada na Rua Selda Soares Silveira, nº 1810, no bairro Vila Beatriz. A sessão marcou o fim de décadas de funcionamento em imóveis alugados e representou a concretização de um projeto iniciado há mais de duas décadas.
Presidida pela vereadora Gisele Garcia Dal Pont (PL), a solenidade reuniu autoridades municipais, ex-vereadores, representantes parlamentares e lideranças da comunidade. Entre os presentes estavam o prefeito Aníbal Brambila (PSD), o vice-prefeito Rudi Dassoler (MDB), a primeira-dama Claudete Brambila, os ex-vereadores Edilane Nicolete e Ivo Pedro Farias, além de representantes dos deputados estaduais Ana Campagnolo e Jessé Lopes e do deputado federal Fábio Schiochet.
A abertura contou com uma mensagem do pároco de Maracajá, padre (vigário) Rafael Borges Peres Martins. Durante a cerimônia também foram apresentados os novos uniformes dos vereadores e as melhorias tecnológicas implementadas no Legislativo, incluindo modernização do sistema de votação e dos equipamentos de transmissão das sessões pela internet.
Ao abrir os trabalhos, a presidente Gisele relembrou a trajetória do Legislativo maracajaense, instalado oficialmente em 30 de janeiro de 1969. Segundo ela, a conquista da sede própria representa um marco histórico para o município, alcançado 57 anos após a criação da Câmara.
O vice-prefeito Rudi Dassoler destacou a contribuição de diversas lideranças que passaram pelo Legislativo ao longo dos anos e defendeu o respeito às diferenças de opinião em prol do desenvolvimento do município.
Já o prefeito Aníbal Brambila comparou a conquista à realização do sonho da casa própria. Ele lembrou que a discussão sobre a construção de uma sede definitiva remonta ao período em que atuou como vereador, em 2004. Segundo o prefeito, a obra foi viabilizada por meio da aquisição do terreno pelo município e pela destinação de recursos economizados e devolvidos pela Câmara ao longo de diferentes legislaturas.
Brambila também comentou os desdobramentos da Operação Gabarito Branco, esclarecendo que a investigação não tem como alvo a administração municipal, mas pessoas ligadas a concursos organizados por uma empresa do Paraná.

Tombamento da antiga Prefeitura
Entre as matérias protocoladas na sessão, ganhou destaque o Projeto de Lei nº 05/2026, de autoria dos vereadores Gisele Garcia Dal Pont (PL), Alacide Luiz Rocha (MDB) e Welliton Júnior de Farias (União Brasil), que propõe o tombamento provisório da antiga sede da Prefeitura de Maracajá, localizada na Avenida Getúlio Vargas, no Centro.
A proposta reconhece o imóvel como patrimônio histórico, cultural, arquitetônico e institucional do município e busca garantir a preservação de um dos símbolos da história administrativa da cidade. Conforme o texto, o tombamento teria caráter declaratório e provisório, impedindo a demolição, descaracterização ou alienação do prédio sem autorização específica, enquanto tramita o processo de proteção definitiva.
Segundo os autores, a iniciativa pretende assegurar a conservação de um patrimônio que integra a memória coletiva dos maracajaenses e possui relevante valor histórico para o município.
O projeto deu entrada na Câmara durante a sessão desta terça-feira e será encaminhado para análise das comissões permanentes da Casa. A matéria ainda não foi votada e deverá retornar ao plenário nas próximas sessões para discussão e deliberação dos vereadores.
Indicações pedem melhorias urbanas
O vereador Daniel Borges Mendonça (PSD) apresentou indicação solicitando um levantamento completo da sinalização de ruas do município. A proposta prevê a identificação de vias sem placas de nomenclatura ou com sinalização deteriorada, para posterior instalação ou substituição.
Já a presidente Gisele Garcia Dal Pont pediu a ampliação da iluminação pública na Rodovia Manoel Antônio Pedroso, principal acesso à comunidade de Garajuva. A vereadora argumentou que a ausência de iluminação em vários trechos compromete a segurança de motoristas, pedestres e ciclistas, aumentando o risco de acidentes.
Durante a discussão, a vereadora Diane Bosa (PSD) também defendeu a busca de recursos para implantação de uma ciclovia ao longo da rodovia.
Pedido de informação gera debate
O vereador Welliton Júnior de Farias (União Brasil) apresentou um amplo Pedido de Informação sobre a transferência da estrutura administrativa da Prefeitura para o novo prédio utilizado pelo Executivo.
O parlamentar solicitou relatórios patrimoniais, cronograma de transferência de bens, informações sobre eventuais descartes ou baixas patrimoniais e documentos referentes aos estudos técnicos e investimentos realizados na adaptação do novo imóvel, localizado às margens da BR-101.
O pedido também questiona se houve avaliação sobre a possibilidade de revitalização da antiga sede da Prefeitura antes da mudança.
Após debate, o requerimento foi aprovado por 6 votos a 2. Votaram contra os vereadores Lane Dassoler (MDB) e Daniel Mendonça (PSD).
Projeto sobre eventos escolares é rejeitado
Na Ordem do Dia, os vereadores analisaram o Projeto de Lei nº 04/2026, apresentado por seis parlamentares, que buscava regulamentar a realização de eventos escolares da rede municipal.
A proposta previa que festividades, reuniões de pais, atividades culturais e eventos esportivos fossem realizados preferencialmente nas próprias escolas e, quando necessário, em salões comunitários dos bairros.
Os autores argumentaram que a medida daria segurança jurídica aos gestores escolares e fortaleceria a integração entre escola e comunidade. Já os vereadores contrários defenderam que a organização desses eventos deve permanecer sob responsabilidade da comunidade escolar e do Poder Executivo, apontando possível invasão de competência legislativa.
O debate também envolveu a realização de eventos escolares no espaço do novo Paço Municipal. O prefeito Aníbal Brambila afirmou que a centralização de atividades no local permite maior segurança, melhor estrutura e redução de custos.
Ao final, o projeto foi rejeitado por 5 votos a 3. Um dos autores da proposta, o vereador Daniel Mendonça, votou contra o texto. Com a derrota da matéria, a presidente Gisele Garcia Dal Pont não precisou exercer o voto.
Palavra Livre
Durante a Palavra Livre, Welliton Júnior de Farias defendeu a elaboração de um plano de manejo para o Parque Ecológico Municipal, cobrou maior divulgação de informações relacionadas à Operação Gabarito Branco e criticou a rejeição de pedidos de informação apresentados por seu gabinete.
O vereador Prezalino Ramos Neto (PSD), o Preto, relembrou o histórico da busca por uma sede própria para o Legislativo e destacou a atuação de antigos vereadores na aquisição dos terrenos que posteriormente foram destinados à construção da unidade da Polícia Militar. Também reforçou o convite ao coordenador da Defesa Civil, Ivo Farias, para apresentar informações sobre as ações preventivas relacionadas ao fenômeno El Niño. A participação foi confirmada para a sessão do próximo dia 16.
Já o vereador Alacide Rocha (MDB) falou sobre a importância de os parlamentares assumirem posições claras nos debates e chamou atenção para a necessidade de investimentos na iluminação pública do município.
A sessão foi encerrada pela presidente Gisele Garcia Dal Pont, que agradeceu a presença das autoridades, da imprensa e da comunidade na primeira reunião realizada na nova sede do Poder Legislativo de Maracajá.


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