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Lula reúne aliados em Florianópolis, mira bolsonarismo e pede mobilização para reta final da campanha

Ato na Praça Tancredo Neves reuniu candidatos, parlamentares, dirigentes partidários e movimentos sociais; presidente defendeu candidaturas de Gelson Merísio, Décio Lima e Afrânio Boppré

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), candidato à reeleição, participou neste sábado, 19 de setembro, de um ato de campanha na Praça Tancredo Neves, no Centro de Florianópolis. A atividade reuniu integrantes da chapa apoiada por Lula em Santa Catarina, dirigentes partidários, parlamentares, candidatos e representantes de movimentos sociais.

O ato, que começou pela manhã, foi encerrado pouco antes das 13 horas. Lula chegou ao local acompanhado da primeira-dama Janja da Silva. No palco, juntou-se ao candidato ao Governo de Santa Catarina, Gelson Merísio (PSB), à esposa dele, Márcia, aos candidatos ao Senado Décio Lima (PT) e Afrânio Boppré (PSOL) e à candidata a vice-governadora Angela Albino (PDT).

Antes da chegada do presidente, Angela Albino conduziu a programação. Como apresentadora do evento, foi responsável por chamar as demais lideranças para os discursos.

O ato reuniu representantes de PT, PCdoB, PV, PSOL, Rede, PSB e PDT, além de movimentos sociais. Entre os participantes estiveram Pedro Uczai, Neodi Saretta, Fabiano da Luz, Padre Pedro, Luciane Carminatti, Giovana Mondardo, Edinho Silva, presidente nacional do PT, e representantes do MST.

Angela Albino abre os discursos

Ao iniciar os discursos, Angela Albino destacou a participação das mulheres e afirmou que escolheu “dizer sim aos princípios que defendemos, às mulheres poderem fazer o que elas quiserem”.

Na sequência, declarou apoio a Lula, Gelson Merísio e ao campo político que representa a chapa.

Angela também afirmou que Santa Catarina é “terra de gente progressista, não de ódio e fascismo” e citou lideranças que, segundo ela, ajudaram a construir a história política catarinense, como Luiz Carlos “Cal” Cancelier, Eurides Mescolotto, Maneca Dias e Antonieta de Barros, apresentada por ela como a primeira deputada negra do Brasil.

Afrânio Boppré faz críticas ao campo bolsonarista

Merísio assiste Lula pedindo apoio a Afrânio e Décio

O candidato ao Senado Afrânio Boppré fez um discurso de forte oposição ao campo político ligado ao bolsonarismo.

Segundo Boppré, haveria um “plano A” relacionado ao que chamou de projeto imperialista da extrema direita e um “plano B”, que seria eleger o maior número possível de senadores e deputados federais para, em sua avaliação, dificultar ou “interditar” um eventual governo Lula.

Boppré também mencionou a disputa pelo Senado em Santa Catarina e afirmou ter um pacto eleitoral com Décio Lima para enfrentar os candidatos apoiados pelo campo bolsonarista.

Durante o discurso, fez críticas ao ex-presidente Jair Bolsonaro e a integrantes da família Bolsonaro, além de mencionar a deputada federal Caroline de Toni e o senador Esperidião Amin.

Décio Lima destaca obras e programas federais em Santa Catarina

Décio Lima, candidato ao Senado pelo PT, afirmou que o grupo reunido na Praça Tancredo Neves representa, em sua avaliação, a defesa de “valores humanistas” e das pautas sociais.

Ao lembrar a campanha de 2022, Décio afirmou que Lula será reeleito no primeiro turno e projetou a eleição dos dois candidatos apoiados pelo grupo ao Senado, além da passagem de Gelson Merísio ao segundo turno na disputa pelo Governo de Santa Catarina.

O candidato também destacou a trajetória de Lula, lembrando sua origem no Nordeste, a experiência como trabalhador e a chegada à Presidência da República.

Décio citou investimentos e obras federais em Santa Catarina e afirmou que o Estado recebeu recursos para obras como o contorno de Florianópolis. Também mencionou a retomada da indústria naval e afirmou que mais de R$ 2 bilhões foram destinados ao setor, com geração de empregos.

Na educação, citou os Institutos Federais e afirmou que 34 dos 41 campi existentes em Santa Catarina foram criados durante governos de Lula.

Décio também mencionou programas sociais e defendeu a ampliação da representação do campo político que apoia Lula no Congresso Nacional e na Assembleia Legislativa.

Ao final, citou o filósofo Baruch Espinosa para defender a mobilização política por meio das “paixões” e afirmou que Lula representa a soberania brasileira.

Janja convoca mulheres para buscar votos

A primeira-dama Janja da Silva também discursou e fez uma convocação especialmente dirigida às mulheres.

Janja pediu que os apoiadores conversem com eleitores indecisos, desanimados e também com pessoas que já votaram em candidatos ligados ao bolsonarismo. Segundo ela, o objetivo deve ser apresentar propostas e mostrar as ações do governo.

“Tem muita gente que ainda está indecisa e está desanimada, que não sabe se vai votar”, afirmou. A primeira-dama defendeu que os apoiadores façam esse trabalho por meio do diálogo e sem confronto.

Ela destacou ainda a importância do fim da escala 6×1 para as mulheres, citando a sobrecarga decorrente da combinação entre trabalho remunerado e tarefas domésticas.

Janja também criticou o impacto das apostas online e defendeu medidas contra o endividamento provocado pelas bets.

Durante sua fala, ressaltou sua relação com Santa Catarina e mencionou experiências relacionadas à agricultura familiar. Também falou sobre a resistência política em um Estado onde, segundo ela, o bolsonarismo possui forte presença eleitoral.

Gelson Merísio fala em reconstrução do diálogo com SC

Candidato ao Governo de Santa Catarina, Gelson Merísio afirmou que ficou fora do processo político desde 2018 e que conheceu Lula durante a campanha de 2022.

Merísio destacou os esforços do governo federal para levar obras e investimentos ao Estado e disse que sua missão na campanha é fazer com que Lula seja ouvido pelos catarinenses.

O candidato também criticou o discurso de que os indicadores econômicos e sociais de Santa Catarina seriam resultado exclusivo de governos ou grupos políticos específicos. Segundo Merísio, esses resultados foram construídos pelos próprios catarinenses.

Em tom de campanha, afirmou que pretende contribuir para a reeleição de Lula e criticou o que classificou como discurso de ódio contra adversários políticos.

Ao abordar o episódio envolvendo Fernanda Klitzke em Jaraguá do Sul, Merísio afirmou que não considera Santa Catarina um Estado de violência ou ódio e destacou a presença de imigrantes e diferentes grupos sociais na formação catarinense.

Fernanda Klitzke recebe apoio no palco

Fernanda Klitzke (PT), candidata suplente ao Senado, também esteve no palco. Ela recebeu manifestações de apoio após o episódio ocorrido durante uma atividade política em Jaraguá do Sul, que teve repercussão nacional.

Em Florianópolis, Fernanda agradeceu emocionada o apoio recebido e permaneceu no palco para a chegada de Lula.

O episódio envolvendo a candidata e policiais militares está sendo objeto de investigação, enquanto diferentes versões sobre a ocorrência foram apresentadas publicamente.

Lula chega ao palco e faz discurso de campanha

Antes da entrada de Lula, Janja participou de um momento musical e cantou a música “Tapete Vermelho”, em apresentação ao lado do pastor Kleber Lucas.

Na sequência, Lula iniciou o discurso pedindo apoio às candidaturas de Gelson Merísio, Décio Lima e Afrânio Boppré.

Um dos principais temas abordados pelo presidente foi o combate às apostas online.

Lula criticou a manifestação de clubes de futebol favorável à manutenção das bets e afirmou que os times não podem depender das apostas para sobreviver.

“Se depender da minha vontade, vamos acabar com as bets neste país”, declarou.

O presidente citou casos de pessoas endividadas e associou o problema das apostas à destruição de famílias e a situações de sofrimento psicológico.

Feminicídio e igualdade salarial

Outro eixo do discurso foi a violência contra as mulheres.

Lula convocou os homens a participarem do combate ao feminicídio e afirmou que mulheres não podem ser tratadas como propriedade.

Também defendeu igualdade salarial entre homens e mulheres que exercem as mesmas funções.

Em tom de apelo aos homens, pediu mudanças de comportamento dentro de casa e afirmou que as crianças não podem crescer presenciando violência doméstica.

Lula também mencionou o endurecimento das políticas contra agressores de mulheres e pediu às eleitoras que apoiem candidatas do campo político que ele representa.

Educação, armas e confronto com o bolsonarismo

Lula dedicou parte do discurso à educação e à pesquisa. Ao falar sobre sua própria trajetória, afirmou que, por não ter tido oportunidade de estudar, quer garantir que outras pessoas possam ter acesso à educação.

O presidente comparou políticas de seu governo com medidas adotadas durante a gestão de Jair Bolsonaro.

Sobre segurança pública, afirmou que seu governo promoveu o recolhimento de armas enquanto, segundo ele, o governo Bolsonaro ampliou o acesso a armamentos.

Em uma das frases de maior impacto do discurso, declarou:

“Enquanto Bolsonaro distribuiu balas, eu quero distribuir livros.”

Lula também criticou propostas relacionadas à privatização de praias e afirmou que quer manter as praias acessíveis à população.

Lula cita investimentos e mercados para Santa Catarina

Ao defender o desempenho de seu governo em Santa Catarina, Lula citou o agronegócio e a indústria.

O presidente destacou a participação catarinense na produção de carne suína e de aves e afirmou que seu governo abriu novos mercados internacionais para produtos brasileiros.

Segundo Lula, foram abertos quase 700 novos mercados para produtos brasileiros durante o atual mandato, sendo mais de 130 em Santa Catarina.

O presidente também citou investimentos em crédito para grandes, médias e pequenas empresas e para a agricultura familiar.

Na educação, lembrou a criação e expansão de universidades federais, Institutos Federais, ProUni, Fies, Reuni e do programa Pé-de-Meia.

Também citou programas como Farmácia Popular, Samu, Minha Casa, Minha Vida e outras políticas públicas implementadas ou ampliadas durante os governos do PT.

“Compare o que Bolsonaro fez por Santa Catarina”

Em um dos momentos mais diretos do discurso, Lula questionou o que Jair Bolsonaro teria realizado por Santa Catarina.

O presidente citou obras federais, investimentos em educação e infraestrutura e afirmou que o governo Dilma Rousseff deu continuidade à duplicação da BR-101.

Também destacou a criação de campi universitários e Institutos Federais no Estado.

Lula pediu que a militância apresente essas informações aos eleitores e compare os resultados dos diferentes governos.

Datacenters, minerais críticos e tecnologia

Na parte final do discurso, Lula abordou temas relacionados à economia e à tecnologia.

Mencionou medidas para atrair investimentos em datacenters e afirmou que o Brasil precisa ampliar sua capacidade de produção de energia e infraestrutura para receber novos investimentos.

Também falou sobre minerais críticos e terras raras, defendendo que o país agregue valor aos recursos naturais e invista na formação profissional dos jovens.

A proposta apresentada por Lula é aumentar a capacidade brasileira de produzir tecnologia e produtos de maior valor agregado, em vez de exportar apenas matéria-prima.

Lula fala sobre investigações e critica bolsonarismo

O presidente também abordou investigações envolvendo o governo e seus adversários.

Ao mencionar as discussões em torno das fraudes no INSS e do caso Banco Master, Lula fez críticas ao campo político bolsonarista e defendeu que as investigações avancem.

Afirmou que quer que o Supremo Tribunal Federal permita a apuração dos fatos e que ninguém deixe de ser investigado quando houver elementos.

Lula também fez referência à situação judicial de Jair Bolsonaro e afirmou que pretende vencer a eleição e mantê-lo preso, em referência ao ex-presidente.

Bandeiras do Brasil e do PT

No encerramento, Lula levantou as bandeiras do Brasil e do PT e afirmou que a bandeira nacional pertence a todos os brasileiros.

O presidente também fez uma crítica ao que classificou como dupla referência nacional de seus adversários, dizendo que alguns políticos exibem alternadamente a bandeira brasileira e a dos Estados Unidos.

“Eu não tenho duas pátrias”, afirmou.

Lula encerrou o ato pedindo que a militância intensifique o trabalho de campanha nas duas semanas que antecedem o primeiro turno, marcado para 4 de outubro.

O evento em Florianópolis ocorreu em meio à reta final da campanha presidencial e da disputa estadual. A agenda havia sido inicialmente prevista para 13 de setembro e posteriormente foi remarcada para o dia 19.

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