No programa Post Notícias desta quinta-feira (02/07), transmitido ao vivo pela Post TV, a apresentadora Natália recebeu o ultramaratonista e treinador de corrida Wesley Garcez . O atleta, que reside e treina no município de Araranguá (SC), retornou recentemente de São Paulo trazendo na bagagem o troféu de campeonato geral de uma prova extrema de 104 km. Na entrevista, Wesley detalhou a diversas rotina de preparação que o esporte de longa distância exige, a superação do choque térmico e do desgaste físico durante uma competição e os seus próximos passos rumo ao sonho da Seleção Brasileira.
O Peso da Preparação e a Rotina de Renúncias
Para atingir o topo do pódio em uma ultramaratona provas com distâncias que ultrapassam o limite tradicional dos 42km da maratona, Wesley apontou que o volume de treino e o comprometimento pessoal precisam ser absolutos.
Volume de Rodagem Impressionante
O Atleta revelou que, no período de 365 dias (analisando de junho do ano passado a junho deste ano), ele acumulou aproximadamente 4.900 km rodados em treinamentos nas ruas de Araranguá e rodovias da região, incluindo treinos de longa distância até municípios vizinhos como Balneário Arroio do Silva e Sombrio.
Rotina Bi-diária e Renúncias
Com uma planilha que frequentemente exige dois turnos de treino no mesmo dia (como rodagens de 18km pela manhã e mais 12km no período da tarde), Wesley destacou que o estilo de vida exige abdicar de momentos de lazer e convívio social.
A Conquista dos 104 km em São Paulo
Calor e Choque Térmico
A prova que rendeu o título de campeão geral a Wesley Garcez aconteceu no sábado anterior (27/06), no Parque do Mirim, na cidade de Indaiatuba (SP). O desafio consistiu em completar 52 voltas em um circuito fechado de 2 km, totalizando 104 km. A vitória foi marcada por barreiras climáticas severas.
O Fator Climático
Wesley vinha de uma preparação intensa realizada sob o inverno catarinense, chegando a registrar treinos longos de 80km (divididos em dois dias) sob uma sensação térmica de 2°C em Araranguá. Ao chegar ao interior paulista, após uma viagem de 16 horas e meia, se deparou-se com um cenário de calor extremo, com tarifas marcando 27°C sob asfalto rústico.
Impacto Físico Extremo
O calor intenso fez com que seus pés queimassem dentro do calçado, obrigando-o a trocar de meia e alternando entre três pares de tênis por quatro vezes ao longo do percurso. O esforço extremo resultou na queima de quase 9.000 calorias e na perda de 3,5 kg a 4 kg de peso corporal ao fim da prova, desgaste muscular e calos severos.
O Trabalho Psicológico e o “Pit Stop da Ferrari”
Na volta da milha 45, com o avanço do sol e o desgaste acumulado, Wesley confessou ter cogitado a resistência por medo de sofrer uma lesão grave — embora acumule um histórico de 8 anos de corrida sem nenhuma lesão. Nesse momento crítico, a atuação de sua equipe de apoio (composta por sua esposa e um casal de amigos) e a intervenção de um técnico convidado da Seleção Brasileira foram decisivas.
“Minha equipe me ajudou a organizar a mente quando eu já estava desorientado pelo cansaço. Eles me lembraram que eu lideraram a prova e me orientaram a diminuir o ritmo para focar em completar, não no tempo. O atendimento era igual ao pit stop da Ferrari: eu sentava num banquinho, o profissional fazia liberação miofascial rápida no glúteo, lombar e panturrilha, e em 30 segundos eu já voltava a correr.”
A maior intercorrência física não se deu na musculatura posterior, mas sim fortes câimbras no músculo tibial, resultando do movimento repetitivo de frenagem e mudança de direção para contornar os cones de retorno da pista.
Estratégia Nutricional e Fisiologia na Ultramaratona
Wesley explicou que a dinâmica energética muda muito dependendo da intensidade da prova.
Zona Anaeróbica (Maratona Rápida)
Relembrando sua marca de 2h40min na Maratona de Criciúma, o gasto predominante do corpo é o carboidrato e o glicogênio muscular estocado. Para isso, o atleta realiza jantares com altas porções de massa e utiliza repositores em gel a cada 4 ou 5 km.
Zona Aeróbica (Ultramaratona)
Em provas mais longas e com variações de altimetria, o corpo precisa de outras fontes de nutrientes além do carboidrato puro. Alimentos de mastigação rápida e com açúcar ou gorduras como maria-mole e amendoim são levados na mochila de hidratação.
Reposição Hidroeletrolítica
O monitoramento do consumo de água é vital, pois a perda excessiva de minerais como potássio e magnésio causa náuseas, tontura e desligamento muscular. Contudo, o excesso de líquido também prejudica o rendimento, exigindo uma dosagem milimétrica para cada clima.
Reconhecimento Municipal e o Sonho da Seleção Brasileira
Recém-formado no curso de Educação Física (conclusão em junho), Wesley atua profissionalmente como treinador de corrida e utiliza sua experiência prática para orientar alunos. O título em São Paulo rendeu ao atleta uma recepção oficial pelo Prefeito de Araranguá para registrar a conquista, ou que o esportista considera um marco para abrir portas comerciais na região. Apesar de indicar a dificuldade de apoio financeiro formal por parte do município — que lida com o gerenciamento de verbas para múltiplas modalidades coletivas —, o maratonista celebrou o acolhimento da comunidade local e de empresários que viabilizaram custos de viagem por meio de cotas enviadas de patrocínio.
Próximos Desafios
O atleta já está inscrito em uma competição na modalidade de 14 horas (provas de tempo contínuo) , onde o objetivo é correr sem interrupções para atingir a meta pessoal de 130 km. Segundo orientações técnicas recebidas, o plano de carreira de Wesley projeta a conclusão de pelo menos cinco eventos oficiais de 100km para consolidar o índice e a experiência necessária para buscar uma convocação para a Seleção Brasileira de Ultramaratona e, futuramente, disputar o Campeonato Mundial.
Entrevista completa no link: https://youtube.com/live/grDRGecOack?feature=share












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