Crime ocorreu em dezembro de 2025 e chocou a comunidade pela violência. Ministério Público pede condenação…
Caso Jadna Custódia: investigação trata crime como feminicídio; ex-companheiro e homem apontado como executor seguem presos
Advogada das filhas da professora detalha os desdobramentos da investigação e destaca que o caso representa o desfecho de um ciclo de violência doméstica
Araranguá
No programa Post Notícias desta quinta-feira (25), transmitido ao vivo pela Post TV, a entrevistada foi a advogada criminalista Mayara de Andrade Bezerra, mestranda em Direito pela UFSC e representante legal das filhas da professora Jádna Custódia. Durante a entrevista, ela comentou os desdobramentos da investigação sobre a morte da professora, ocorrida em 15 de abril, em Araranguá, e abordou os desafios enfrentados no combate à violência de gênero e ao feminicídio.
Embora as investigações tenham começado em uma força-tarefa entre a Divisão de Investigação Criminal (DIC) e a Delegacia de Proteção à Criança, ao Adolescente, à Mulher e ao Idoso (DPCAMI), a apuração passou a ser conduzida exclusivamente pela DPCAMI diante dos indícios de que o crime teve motivação relacionada à violência de gênero.
A Polícia Civil representou pelo indiciamento de dois investigados. O ex-companheiro de Jádna, professor do IFSC em Criciúma, foi apontado como mandante do crime, enquadrado como feminicídio. Já o segundo investigado, que também possuía vínculo com a instituição de ensino, é apontado como o executor das facadas, devendo responder por homicídio qualificado.
Ao longo da investigação, quatro pessoas chegaram a ser presas. Além dos dois investigados que permanecem detidos, o irmão e o cunhado do suposto executor também foram presos temporariamente, mas acabaram sendo liberados durante o andamento das investigações.
Com a conclusão do inquérito policial e o pedido de indiciamento, o caso segue agora para análise do Ministério Público, que decidirá sobre o eventual oferecimento da denúncia. Caso ela seja recebida pela Justiça, o processo deverá ser submetido ao Tribunal do Júri.
Um histórico de violência
Segundo a advogada Mayara de Andrade Bezerra, o assassinato de Jádna Custódia não pode ser analisado como um fato isolado, mas como o desfecho de um longo ciclo de violência.
A professora havia registrado diversos boletins de ocorrência contra o ex-companheiro e possuía duas medidas protetivas de urgência em vigor. Também tramitavam processos nas esferas cível, envolvendo disputa patrimonial, e criminal, relacionados a acusações de violência sexual e cárcere privado.
O crime ocorreu no dia 15 de abril. Cinco dias depois, Jádna participaria de uma audiência criminal, na qual prestaria depoimento em um dos processos contra o ex-companheiro. Segundo a representante da família, essa circunstância é considerada relevante para a compreensão da motivação do crime.
Quebrando estereótipos
Durante a entrevista, a advogada também chamou atenção para a necessidade de romper estereótipos relacionados tanto às vítimas quanto aos autores de violência doméstica.
Ela destacou que a violência contra a mulher ocorre em todas as classes sociais, níveis de escolaridade e profissões. O fato de o investigado apontado como mandante ser professor de uma instituição federal, segundo ela, demonstra que não existe um perfil único de agressor.
Mayara também ressaltou que Jádna era uma mulher atuante, professora, líder comunitária e participante de redes de apoio a outras mulheres. Para a advogada, ainda persiste, na sociedade e até mesmo em alguns julgamentos, a ideia equivocada da chamada “vítima perfeita” — aquela que permanece em silêncio e se mostra completamente submissa —, o que acaba deslegitimando mulheres que continuam trabalhando, estudando e mantendo sua autonomia mesmo sendo vítimas de violência.
O papel das filhas no processo
Jádna deixou três filhas — uma adolescente de 14 anos e duas jovens adultas —, consideradas vítimas indiretas do crime.
A advogada explicou que, após o eventual oferecimento da denúncia pelo Ministério Público, a família pretende atuar formalmente como assistente de acusação. Esse instrumento jurídico permite que os representantes das vítimas acompanhem todas as fases da ação penal, participem das audiências, formulem perguntas às testemunhas e aos réus e atuem também durante o julgamento pelo Tribunal do Júri, colaborando com a produção das provas e a defesa dos interesses da família.
Edição 2871 – 26/0/6/26 – Caso Jádna: dupla será indiciada por feminicídio


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