Crime ocorreu em dezembro de 2025 e chocou a comunidade pela violência. Ministério Público pede condenação…
Polícia Civil conclui inquérito e aponta ex-companheiro como mandante da morte de Jádna; defesa contesta e fala em “ausência de provas”
A Polícia Civil concluiu o inquérito que investigou o feminicídio de Jádna Custódia Ferreira Vieira, de 55 anos, morta após ser atacada com cerca de dez golpes de faca na frente da filha adolescente, em Araranguá. Em coletiva de imprensa realizada nesta sexta-feira (26), a delegada da DPCAMI, Eliane Chaves, e o delegado regional Diego de Haro apresentaram os detalhes da investigação, que resultou no indiciamento do ex-companheiro da vítima (Paulo) como mandante do crime e de Fábio Zago Demétrio como executor. Ambos permanecem presos preventivamente.
Segundo a investigação, o crime foi premeditado. Conforme a Polícia Civil, Fábio monitorou a rotina da professora por vários dias, chegou a alugar um imóvel com vista para a residência da vítima e até visitou a casa se passando por um possível comprador, já que o imóvel estava à venda. No dia 15 de abril, ele aguardou Jádna sair para o trabalho e a atacou em frente à residência. A vítima foi socorrida em estado gravíssimo, passou por cirurgia, mas morreu quatro dias depois no Hospital Regional de Araranguá.
Ainda de acordo com a Polícia Civil, as investigações apontaram que o executor mantinha vínculo com o ex-companheiro da vítima por meio de um projeto de ressocialização de egressos do sistema prisional, desenvolvido no IFSC de Criciúma, onde o acusado atuava como professor. Imagens de monitoramento, provas técnicas e outros elementos reunidos durante a investigação sustentam, segundo os delegados, a conclusão de que o crime foi encomendado.
VEJA A LIVE COMPLETA DA ENTREVISTA COLETIVA:
https://www.instagram.com/reel/DaDYhupEWan/?utm_source=ig_web_copy_link&igsh=MzRlODBiNWFlZA==
Defesa nega participação e critica investigação
Também nesta sexta-feira, a PostTV ouviu o advogado criminalista Andriw Loch, responsável pela defesa do ex-companheiro de Jádna. Durante a entrevista, ele afirmou que recebeu o indiciamento “com tristeza, mas sem surpresa” e sustentou que não existem provas concretas que liguem seu cliente ao homicídio.
Segundo o advogado, toda a investigação teria sido conduzida a partir de uma linha única de apuração, direcionando desde o início as suspeitas ao ex-companheiro em razão do histórico de conflitos entre o casal. A defesa afirma que celulares, computadores, movimentações bancárias e demais provas periciadas não apontaram qualquer comunicação entre o acusado e o suposto executor.
Loch também confirmou que seu cliente conhecia Fábio Zago Demétrio em razão do projeto de reinserção social desenvolvido no IFSC e admitiu que houve um empréstimo de aproximadamente R$ 3 mil a R$ 4 mil para auxiliá-lo na compra de um veículo. Entretanto, segundo a defesa, essa ajuda foi interpretada pela investigação como possível pagamento pelo crime, hipótese que o advogado classifica como “mera suposição”.
Outro ponto destacado pela defesa é que o próprio executor, em depoimento citado pelo advogado, teria negado qualquer participação do ex-companheiro de Jádna na execução do crime. Para Loch, o histórico de violência doméstica e a existência de medida protetiva justificavam que a polícia iniciasse as investigações a partir do ex-companheiro, mas não seriam suficientes para sustentar uma acusação criminal sem provas materiais.
“O que aconteceu com a Jádna foi cruel e precisa ser punido. Mas justiça se faz com provas, não com suposições”, afirmou o advogado durante a entrevista.
VEJA A ENTREVISTA COMPLETA DO ADVOGADO DO SUSPEITO DE MANDO:
Próximos passos
Com a conclusão do inquérito, o procedimento será encaminhado ao Ministério Público, que decidirá pelo oferecimento ou não da denúncia à Justiça. Caso a denúncia seja aceita, os acusados responderão ao processo criminal e poderão ser submetidos a julgamento pelo Tribunal do Júri.
O caso provocou forte comoção em Araranguá e mobilizou manifestações populares pedindo justiça para Jádna e o combate à violência contra a mulher.


Comments (0)