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Presidente recua de acordo com vereadores do MDB e é duramente criticado na Câmara de Jacinto Machado

Quem compareceu à Câmara de Vereadores de Jacinto Machado na expectativa de uma mudança de posição do presidente Agrício Abel (MDB) deixou a primeira sessão legislativa de 2026 com sentimento de frustração. Um grupo expressivo de pessoas acompanhou a sessão aguardando a confirmação de que Abel renunciaria ao comando da Casa em favor da vice-presidente, Aline Cechinel (MDB), conforme acordo interno previamente firmado — o que não se confirmou.

Antes mesmo da abertura oficial dos trabalhos, os vereadores se reuniram com o presidente e já foram informados de sua decisão de permanecer no cargo, o que contribuiu para um clima tenso desde o início. Com o plenário lotado, a sessão foi marcada por aplausos, vaias e manifestações de descontentamento.

Ao abrir os trabalhos, Agrício Abel — ladeado pela vice-presidente Aline Cechinel e pela prefeita em exercício, Noeli Zacca Schmidt (PP) — concedeu espaço para manifestações dos parlamentares durante o período da palavra livre.

Críticas diretas ao presidente

O vereador Vânio de Mello (MDB) foi o primeiro a se manifestar de forma contundente, afirmando que o presidente estaria rompendo um compromisso firmado com os colegas de partido. Em tom duro, classificou Agrício como “sem palavra” e acrescentou que a decisão demonstraria “falta de confiança, respeito e ética com os companheiros do MDB”.

Vânio ressaltou ainda que Aline Cechinel havia se preparado ao longo de todo o ano para assumir a presidência em 2026, conforme o acordo de rodízio. Durante sua fala, apresentou um documento assinado pelos cinco vereadores do MDB, prevendo a seguinte composição: Agrício Abel na presidência em 2025, Aline Cechinel em 2026, Vânio de Mello em 2027 e o Progressistas em 2028, indicação que tende a recair sobre Alan de Noni dos Santos, o Polenta.

Na sequência, a própria vice-presidente Aline Cechinel fez um pronunciamento igualmente firme, lembrando que o acordo havia sido firmado em 18 de novembro de 2024 e que agora estava sendo descumprido. Em sua fala, afirmou que a decisão do presidente poderia estar relacionada “à falta de palavra, à prepotência, à ambição ou simplesmente ao desejo de permanecer no poder”. Ao final, pediu ironicamente uma salva de palmas ao presidente.

O vereador Aderval da Rosa (MDB) também se pronunciou, informando que havia aberto mão de um ano na presidência dentro do acordo de rodízio, a pedido do prefeito Sander Just (MDB), para viabilizar um ano de presidência ao Progressistas, partido aliado que cedeu o vice na chapa majoritária nas eleições de 2024.

Já o vereador Hueliton Bardini Giusti (PL), único representante da oposição a se manifestar, demonstrou preocupação com a suposta interferência do Poder Executivo em decisões internas do Legislativo, alertando para uma possível ruptura do princípio da independência entre os poderes.

Também houve pronunciamentos defendendo a manutenção do compromisso político assumido com o Progressistas para um ano de presidência da Câmara.

Executivo se manifesta

A prefeita em exercício, Noeli Zacca Schmidt (PP), utilizou a tribuna para falar sobre sua posse e as expectativas para os 15 dias à frente do Executivo municipal. Destacou o simbolismo de ser a primeira mulher a assumir o cargo em Jacinto Machado e lembrou o fato histórico de ser filha de Paul Jorge Zacca, o primeiro prefeito do município.

Presidente opta por nota oficial

Mesmo diante das críticas contundentes, o presidente Agrício Abel optou por não se manifestar durante a sessão. À imprensa regional presente, informou que divulgará nos próximos dias uma nota oficial explicando os motivos que o levaram a permanecer no cargo pelo período regimental de dois anos, para o qual foi eleito.

O acordo firmado por escrito entre os vereadores do MDB – conforme os próprios vereadores -, não possui valor legal, tratando-se apenas de um compromisso político interno, sem força jurídica para obrigá-lo à renúncia.

Comparações e controvérsias

Durante a sessão, Aline Cechinel fez uma comparação com o gesto do prefeito Sander Just, que não precisou de documento assinado para cumprir o acordo político de ceder, por 15 dias, o cargo de prefeito em exercício a Noeli Zacca. A analogia, no entanto, foi vista por interlocutores como desproporcional, já que, no caso do Legislativo, a mudança exigiria a renúncia formal do presidente por um ano inteiro de mandato, enquanto o afastamento do prefeito foi temporário e pode ou não se repetir ao longo dos próximos três anos.

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