A Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina (DIVE/SC) divulgou na semana passada o boletim mais recente sobre a dengue, febre chikungunya e zika vírus, com dados contabilizados entre 3 de janeiro a 27 de março de 2021.

Neste período foram identificados 24.337 focos do mosquito Aedes aegypti em 199 municípios. Comparando ao mesmo período de 2020, quando foram identificados 13.341 focos em 171 municípios, o aumento foi de 82% no número de focos detectados, uma escalada assustadora dos números.

O índice de municípios considerados infestados também aumentou, subindo de 100 para 110, o que representa um incremento de 10% em relação ao mesmo período de 2020. A definição de infestação é realizada de acordo com a disseminação e manutenção dos focos. 

Na Amesc, Araranguá, Passo de Torres e Sombrio são considerados municípios infestados, mas o alerta para o crescente número de focos fica para toda a região. “A pandemia está tirando o foco da dengue neste período. O problema é que as pessoas só olham para o Covid-19 e esquecem da dengue. Além disso, o mosquito já está adaptado, cada vez mais instalado no nosso estado, com transmissão em Florianópolis”, comenta o responsável pelo setor de Zoonoses na região, Fábio Sabino.

De acordo com ele, esse trabalho para eliminar possíveis criadouros para o mosquito, deve ser contínuo, o que não ocorre dentro das propriedades particulares. Ele teme que uma epidemia no estado ocorra por causa desta falta de cuidado. “Aí vai ser tarde, a epidemia já vai ter se instalado. Nós temos município aqui com mais de 200 focos, então o problema é bem grande e está passando despercebido”, lamenta.

As visitas às casas continuaram sendo feitas apesar da pandemia, mantendo todos os cuidados para evitar contágio do vírus. Nelas, as equipes da vigilância sanitária de cada município encontraram larvas do mosquito em lixo abandonado e em potes de água para animais, sinal de que a população não está prestando atenção na manutenção dos seus imóveis. “É preocupante a situação, porque não é mais preciso ir a São Paulo, Minas Gerais para pegar dengue. Basta ir a Florianópolis, a Itapema, a Bombinhas, e ao retornar à nossa região, onde já há o vetor, começar a transmissão”, diz.

Neste ano, focos já foram registrados em Araranguá, Arroio do Silva, Balneário Gaivota, Passo de Torres, São João do Sul, Santa Rosa do Sul, Morro Grande, Jacinto Machado e Sombrio, onde Fábio considera o problema mais preocupante. “As pessoas não estão entendendo que o mosquito está se instalando na nossa região por falta de cuidado de cada um”, conclui. 

 

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