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Cigarro eletrônico representa risco grave à saúde e pode ser ainda mais nocivo que o tradicional

Dispositivo popular entre jovens contém nicotina e substâncias tóxicas associadas a doenças pulmonares, cardiovasculares e câncer

Com design moderno, aromas agradáveis e aparência inofensiva, os cigarros eletrônicos têm conquistado cada vez mais usuários, especialmente entre os jovens. No entanto, os riscos à saúde são significativos e, em alguns casos, podem ser ainda maiores do que os provocados pelo cigarro convencional. O alerta é da médica pneumologista e professora do curso de Medicina da Unesc, Helena Demétrio.

Segundo a especialista, apesar das diferenças na composição, ambos os dispositivos expõem o organismo a substâncias altamente nocivas. “O cigarro tradicional é composto por nicotina e mais de sete mil substâncias tóxicas. Já o cigarro eletrônico pode ou não conter nicotina, mas possui solventes e aromatizantes que também causam danos importantes à saúde”, explica.

Entre essas substâncias está o diacetil, aromatizante presente em alguns dispositivos eletrônicos, associado a uma doença pulmonar grave conhecida como bronquiolite obliterante, que compromete de forma irreversível as vias aéreas.

Inflamação silenciosa e danos progressivos

Helena destaca que o tabagismo provoca um acúmulo de lesões ao longo do tempo. “O uso contínuo gera uma inflamação crônica das vias aéreas. Muitas vezes, o paciente não apresenta sintomas no início, mas, com o passar dos anos, surgem alterações na função pulmonar e dificuldades respiratórias”, afirma.

A relação entre o tabagismo e o câncer é amplamente comprovada. “O cigarro é um dos principais fatores de risco para o câncer de pulmão, além de estar associado a tumores de boca, esôfago, bexiga e outros órgãos. O risco aumenta conforme a quantidade fumada diariamente e o tempo de uso”, ressalta.

Além disso, o cigarro — eletrônico ou tradicional — também afeta o sistema cardiovascular. “Há alterações nos vasos sanguíneos que aumentam o risco de AVC, hipertensão e doenças ateroscleróticas. É um vício que compromete diversos sistemas do organismo”, reforça.

Por que o cigarro eletrônico atrai os jovens

Para a professora da Unesc, a estética e o cheiro agradável explicam parte do apelo entre adolescentes e adultos jovens. “São dispositivos mais bonitos, modernos e com aromas que não lembram a fumaça do cigarro comum. Isso cria uma falsa sensação de segurança e acaba atraindo principalmente o público jovem”, observa.

Ela alerta ainda para um equívoco comum entre os usuários. “Muitos acreditam que podem parar quando quiserem, mas, com o uso frequente, é possível sim desenvolver dependência, seja com o cigarro tradicional ou eletrônico”, afirma.

Porta de entrada para o tabagismo

Criado inicialmente como uma alternativa para ajudar fumantes a abandonar o cigarro convencional, o eletrônico acabou produzindo o efeito contrário. “O que observamos é que muitos adolescentes começam pelo cigarro eletrônico e, em pouco tempo, migram para o cigarro tradicional”, relata Helena.

Os danos, segundo a médica, podem surgir logo no primeiro uso. “Existe uma condição chamada Evali — Lesão Pulmonar Associada ao Uso de Cigarro Eletrônico — já bem descrita nos Estados Unidos. Ela pode ocorrer desde o início do consumo, causando inflamação aguda, pneumonia grave e levando muitos pacientes à UTI, com quadros irreversíveis”, alerta.

Qualidade de vida em risco

A pneumologista lembra que os prejuízos do tabagismo impactam diretamente a qualidade de vida. “Hoje se fala muito em alimentação saudável e atividade física, mas muitas pessoas não percebem os efeitos do cigarro no curto prazo. Só notam quando surge o cansaço ao subir uma ladeira ou realizar pequenos esforços”, exemplifica.

Tratamento exige acompanhamento contínuo

Parar de fumar exige acompanhamento especializado. “O tratamento deve ser multidisciplinar, envolvendo pneumologista, avaliação da função pulmonar, uso de medicamentos quando necessário e apoio psicológico ou psiquiátrico, pois muitas vezes existem outras questões associadas ao vício”, orienta.

Apesar da motivação inicial, o processo é desafiador. “Muitos pacientes começam empolgados, mas acabam interrompendo o tratamento. O principal desafio é manter o acompanhamento ao longo do tempo”, conclui.

As orientações foram compartilhadas pela médica pneumologista e professora da Unesc, Helena Demétrio, em entrevista concedida à Rádio Unesc

Confira na íntegra: https://www.youtube.com/watch?v=UGtGb0ABbDY.

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