Com o propósito de fortalecer a cultura do respeito, da igualdade e da convivência saudável no…
Mateus transforma desafios em alegria e dá uma lição diária de amor, inclusão e superação
Aos 14 anos, estudante de Turvo encanta escola e comunidade com carisma contagiante e uma história marcada por afeto, parceria familiar e superação
MATEUS: UM SHOW DE SIMPATIA E CARISMA
Em um mundo que ainda aprende a lidar com as diferenças, Mateus Vieira Pedroso, de 14 anos, já entendeu o que muitos adultos ainda buscam: viver com leveza, alegria e amor. Aluno do 7º ano da Escola de Educação Básica Castro Alves, ele é conhecido por onde passa como um verdadeiro show de simpatia.
Mateus gosta de futebol, música, toca bateria, violão, participa da catequese e distribui sorrisos com a mesma facilidade com que conquista amigos. Diagnosticado com Síndrome de Down, TDAH e autismo, ele não se define por suas condições, mas pela intensidade com que vive cada momento.
O pai, Edegar Hahn Pedroso, relembra o início da jornada com emoção.
“Não tínhamos conhecimento de nada, e nossa vida estava começando ali, com muitos desafios pela frente, mas sempre tivemos a certeza de que o Mateus nos surpreenderia”, conta.
E surpreendeu. Dentro de casa, encontrou o alicerce que faria toda a diferença: a família. Quatro anos depois, nasceu o irmão Luan, hoje seu companheiro inseparável. Mais do que irmão, ele é amigo, parceiro de brincadeiras e apoio constante.
“Eles jogam bola, brigam, se entendem… como todo irmão. Mas existe um cuidado especial, um vínculo muito forte”, relata o pai.
Na escola, esse amor se reflete em desenvolvimento. A professora Solange Presa acredita que o ambiente familiar é determinante.
“São pais presentes, participativos e cheios de carinho. Isso faz toda a diferença”, afirma. Para ela, trabalhar com Mateus é mais do que ensinar — é aprender diariamente. “Recebo dele uma dose de amor todos os dias.”
A conexão com o irmão também é visível no ambiente escolar. Quando surgem momentos de resistência, basta a presença de Luan para que tudo se acalme. Um gesto simples que revela a força dos laços afetivos.
Carismático, Mateus se tornou o “xodó” da turma desde cedo. A professora Nilvana, que o acompanhou no 3º ano, lembra com carinho:
“Ele sempre foi cheio de amigos. A família sempre esteve ao lado da escola, e isso reflete diretamente na evolução dele.”
Mesmo em um ambiente escolar grande e movimentado, Mateus se sente pertencente. Gosta das atividades, interage com os colegas e encontra no parque seu espaço favorito — muitas vezes usado como incentivo para as tarefas.
“Ele atende aos comandos, está bem inserido e se sente incluído”, reforça Solange.
Para a assessora de direção, Diandra Correia Ribeiro, a inclusão é um compromisso permanente.
“O vínculo com o professor é essencial. Quando ele se sente acolhido, o desenvolvimento acontece de forma muito mais significativa”, destaca.
Esse cuidado coletivo é fundamental, especialmente diante dos desafios. Mas, segundo a equipe escolar, a resposta vem em forma de afeto, respeito e companheirismo — valores que Mateus expressa com naturalidade.
O coordenador regional de educação, Gilberto Delfino, ressalta que histórias como essa devem servir de exemplo.
“A escola não caminha sozinha. É na parceria com a família que construímos inclusão de verdade e garantimos alunos felizes e inseridos na sociedade”, afirma.
E se na escola Mateus brilha, em casa ele é motivo de orgulho diário. Nunca houve resistência para estudar — ele mesmo se arruma, veste o uniforme e espera pelo momento de ir à aula.
“Ele gosta de estar lá. Isso nos emociona muito”, diz o pai.
Entre tantos momentos marcantes, Edegar guarda um em especial: a primeira vez que o filho viu o mar. Sem medo, Mateus entrou na água e aproveitou cada instante. Uma cena simples, mas carregada de significado.
Em meio a uma sociedade que ainda enfrenta o preconceito, a família segue firme, guiada por um sentimento que supera qualquer obstáculo.
“Nada se compara ao amor que sentimos pelo Mateus. Quando ele vai comigo de bicicleta e cumprimenta todo mundo, eu penso: esse é o meu garoto.”
No Dia Internacional da Síndrome de Down, celebrado em 21 de março, a história de Mateus não é apenas uma homenagem — é um lembrete poderoso de que inclusão, respeito e amor transformam vidas.



Comments (0)