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MDB decide sair do governo e buscar seu espaço nas elições
Depois da decisão de Jorginho Mello (PL) de chamar o prefeito de Joinville, Adriano Silva (Novo), para compor como seu vice em 2006, o cenário modificou, e o MDB foi chamado às pressas para uma reunião do Diretório Estadual.
A reunião do MDB aconteceu nesta noite de 26 de janeiro, para debater o novo quadro. O presidente estadual e deputado federal Carlos Chiodini abriu a reunião do Diretório do Partido exatamente às 19h 15min.
Primeiro, Chiodini fazendo uma retrospectiva do início das conversas com o PL e com seu presidente, o governador Jorginho Mello. Ele lembrou que há exatamente 1 ano, no dia 23 de janeiro de 2025 o MDB “celebrou um contrato com o PL de parceria e de compromisso”. Desde de que este acordo foi firmado com o governador, o MDB não teve mais reunião com nenhum partido, lembrou Chiodini.
O presidente do MDB confirmou ainda – para surpresa de muitos dos presentes, que iria entregar a renúncia do cargo de Secretário de Estado da Agricultura. Depois, sinalizou que o MDB iria orientar aos companheiros que tem cargo no Governo para fazerem o mesmo, entregar os cargos para que o partido possa ficar liberado para tratar das eleições.
A reunião terminou com aprovação por unanimidade de 3 deliberações:
1) Construir um caminho próprio de ter candidato a governador. 2) Diálogo e articulação política – ou seja, ter liberdade para construir um projeto. 3) Independência, que depende que os filiados que tenham cargo no atual governo deixe imediatamente. Além da Secretaria de Agricultura; a Secretaria de Meio Ambiente e da Economia Verde; da Secretaria de Infraestrutura; e a Fesporte são os de primeiro escalão. Chiodini teria de deixar em seguida para voltar à Câmara Federal; Jerry Comper da mesma forma, para disputa de vaga ao parlamento; Cleiton Fossá já é suplente de deputado; e Jeferson Ramos Batista.
Depois da reunião o MDB emitiu uma nota:
Nota oficial do MDB Santa Catarina
“Na noite desta segunda-feira (26), o MDB de Santa Catarina (MDB-SC) realizou uma reunião no Hotel Castelmar, em Florianópolis. Na ocasião, por decisão unânime, o diretório estadual do partido deliberou as seguintes orientações políticas:
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Construção de projeto próprio: A partir deste momento, o MDB-SC iniciará a construção de um projeto próprio para as eleições ao Governo do Estado de 2026, alinhado aos anseios da sociedade catarinense e em consonância com os 60 anos de história, legado e conquistas da sigla.
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Diálogo e articulação política: O partido abrirá diálogo com outras legendas que compartilhem dos mesmos princípios, valores e ideais emedebistas, visando a construção de convergências políticas responsáveis e comprometidas com o desenvolvimento de Santa Catarina.
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Independência: O diretório do MDB-SC orienta seus filiados a se desvincularem de funções que exerçam no que no Governo do Estado. Independente de posicionamentos no campo político-eleitoral, a sigla reafirma que seguirá apoiando, no âmbito do Poder Legislativo, todos os projetos que sejam de interesse do Estado e da população catarinense, mantendo sua postura de responsabilidade institucional, mesmo que esteja se desvinculando do atual Governo. O MDB de Santa Catarina reforça, assim, seu compromisso histórico com o diálogo, a democracia e o desenvolvimento de Santa Catarina.
Caminho até troca do MDB pelo Novo
O MDB cometeu um dos erros mais primários quando se trata de articulação política. O de colocar os ovos em uma cesta só. Aceitou ser vice com quase 2 anos antes das eleições. Ainda ficou afastado do PSD, com quem tem boa relação, fechou as portas para um projeto de centro, que poderia inclusive atrair o campo da esquerda.
Jorginho fez a leitura de que atrair o prefeito de Joinville lhe daria a vantagem de ter um nome da maior cidade catarinense (assim como foi com sua atual vice) e ainda com maior projeção. Trouxe um empresário de muitos recursos e apostou ainda que trazer o Novo iria unificar o campo da direita e ainda segurar Carol de Toni (estancando uma crise no PL). Outra aposta é que o MDB na chapa iria dar margem para crítica já que o MDB nacional é dividido em parte no apoio ao PT. Além do mais, a verticalização nacional não daria garantia até as eleições de que o MDB poderia participar da chapa, já que o partido pode ser o vice de Lula do PT, o que impediria a dobradinha com o PL em Santa Catarina.
O que também chateou muitos líderes do MDB é que o partido é o maior do estado, está presente em 295 municípios, enquanto o Novo é um partido de menor expressão do estado, com apenas 1 deputado federal e 1 estadual.
Para alegrias de bolsonaristas, o MDB fica fora da chapa
O fato é que o MDB não era aceito pela ala mais radical do PL, que agora vê o governador Jorginho Mello (PL) apostar suas fichas na vaga de Carlos Bolsonaro ao Senado, que pode dobrar tanto com Carol de Toni (PL), quanto atrair ainda a União Progressista (União/PP) e dar a segunda vaga para Esperidião Amin (PP). Os bolsonaristas irão defender chapa pura do PL.
MDB não teve o reconhecimento que achava que merecia.
A encruzilhada que o MDB vive é que existe a dificuldade de fechar aliança onde o PP estiver. Por isso, uma ala do partido defendia ainda que o MDB ficasse no apoio ao governador. Ficou no governo em troca de secretarias e da Fundação de Esportes, mas teve que conviver com a humilhação constante de ver o secretário adjunto Ricardo Grando ter mais poder dentro da Secretaria de Infraestrutura do que Jerry Comper. Com isso, a pasta de Agricultura passou a ser a mais importante entre os cargos. Pelo tamanho das demais, não haverá um grande prejuízo para o partido com a saída dos cargos.
A ver agora como fica a questão das relações entre MDB e PL nos municípios, como Araranguá e Sombrio, onde existe uma relação tranquila.



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