Iniciativa liderada por juíza e apoiada por empresária e policiais penais fortalece a ressocialização e ajuda a reconstruir vidas no Rio Grande do Sul
Araranguá
Manuela Oliveira
Mais um passo importante foi dado no projeto “Aprender Solidário”, que alia capacitação profissional de apenados à solidariedade, levando alento às vítimas das enchentes no Rio Grande do Sul. Na manhã desta quarta-feira, 13 de Novembro, o projeto ganhou novos contornos de esperança e recomeço com a entrega de móveis produzidos pelos reeducandos do Presídio Regional de Araranguá. O comboio partiu de Santa Rosa do Sul, em Santa Catarina, e seguiu até os municípios de Canoas e São Leopoldo, regiões severamente afetadas pelas fortes chuvas no final de Abril.
A juíza Lívia Borges Zwetsch Beck, da 2ª Vara Criminal de Araranguá, a policial penal Vanessa Colares Bitencourt, uma das líderes do projeto, e a empresária Elisângela Mendes, peça-chave na viabilização dessa ação, estiveram à frente da entrega. As famílias, emocionadas, receberam não apenas móveis essenciais como camas e pias, mas também uma mensagem especial dos apenados, transmitindo solidariedade e esperança.
“O momento das entregas foi de muita emoção. É gratificante ver que o trabalho dos internos, que têm se dedicado com tanto empenho, alcança o seu objetivo final: a reconstrução de vidas”, declarou a juíza Lívia.
O projeto contou ainda com a presença das ativistas Cássia Machado e Ale Bruny, representantes do movimento “Fight for Life”, que uniram esforços e doaram casas às famílias que perderam tudo. Esses dois projetos se encontraram no caminho, unindo forças e transformando a realidade de diversas pessoas.
Capacitação e Ressocialização:
O curso de marcenaria, realizado no próprio presídio e ministrado pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Industrial (SENAI), envolveu 20 reeducandos. A formação, que teve duração de três meses, será estendida até Dezembro. Segundo Vanessa Colares Bitencourt, a atividade tem papel fundamental na ressocialização dos internos. “Além de ajudar as vítimas das chuvas, o projeto promove a capacitação dos apenados, abre novas perspectivas de vida e permite que eles interajam e colaborem entre si, o que torna o ambiente prisional mais humano”, afirmou a policial penal e coordenadora educacional da unidade.
A magistrada ressaltou ainda o caráter social do projeto, que conta com o apoio de empresas locais e de instituições como a Universidade do Extremo Sul Catarinense (Unesc) e a Vara de Execuções Penais de Araranguá.
Para os detentos, cada móvel produzido carrega a esperança de um novo começo, tanto para quem fabrica quanto para quem recebe.
Esperança em Cada Móvel:
Os internos, motivados pela causa, colocam dedicação em cada peça produzida, conscientes de que o mobiliário representa a oportunidade de um novo começo para quem sofreu com as enchentes. Além de adquirirem um ofício, eles aprendem a importância da colaboração e do impacto positivo que seu trabalho pode ter na vida de outras pessoas.
Para a empresária Elisângela Mendes, que colaborou para que o projeto se tornasse realidade, o sentimento é de gratidão.
“É recompensador ver o brilho nos olhos das famílias ao receber os móveis e saber que isso só foi possível pela união de esforços de todos os envolvidos.”
O projeto “Aprender Solidário” não só promove a capacitação profissional e a ressocialização dos apenados como também fortalece os laços entre Santa Catarina e Rio Grande do Sul em um ato de verdadeira solidariedade.












