ALESC - Em Respeito as Nossas Raizes
UNESC- Multi Graduação

Enfoque Político

RODÍZIO NO PODER

O presidente da Câmara de Vereadores de Balneário Arroio do Silva, Pedro Eugênio Coelho, o Pedrinho, assumiu interinamente a Prefeitura nesta quinta-feira (29) e permanecerá no cargo até 6 de novembro, durante a licença sem remuneração do prefeito Jorge Luiz Freitas. A mudança provoca também uma alteração temporária no Legislativo, que passa a ser presidido pelo vereador Wandrei Barreto. Além do caráter administrativo, a transmissão representa um movimento institucional que coloca o comando dos dois Poderes municipais sob novas lideranças durante o período. Pedrinho, vereador por dois mandatos, chega ao Executivo em uma experiência temporária que amplia sua trajetória política no município.

O ato foi prestigiado pelo ex prefeito Evandro Scaini (PP) e pelos vereadores de Araranguá Douglas Michels (MDB), Júnior Bailão (MDB), Mano do Morro (PSD) e Joel Casagrande (MDB).

 

REPÚDIO AO BOICOTE

A circulação de listas com nomes de pessoas, profissionais e estabelecimentos comerciais de Araranguá, identificados por supostas posições políticas e ideológicas, provocou manifestações de repúdio e preocupação no município. O episódio mobilizou o PT de Araranguá, que divulgou posicionamento público por meio de seu presidente municipal, Ozair da Silva (Banha), além de provocar manifestações e articulações junto a entidades representativas. A Subseção da OAB de Araranguá também se pronunciou sobre o caso. A discussão ultrapassa as diferenças entre direita e esquerda e coloca em pauta o respeito à liberdade de expressão, à pluralidade de ideias e à convivência democrática. Em uma sociedade livre, ninguém deve ser constrangido, perseguido ou ter sua atividade profissional e comercial prejudicada por suas convicções políticas. Divergências fazem parte da democracia; intimidação e discriminação não.

O BRASIL NÃO PODE SER REFÉM DO ÓDIO: DEMOCRACIA EXIGE AUTOCÍTICA, DIÁLOGO E PRESENÇA

A disputa política brasileira não terminou com a apuração das urnas. Pelo contrário, os acontecimentos recentes demonstram que o país ainda terá um longo caminho pela frente para reconstruir pontes, enfrentar a intolerância e compreender as profundas divisões que atravessam a sociedade.

O primeiro passo, entretanto, exige uma dose de autocrítica. Estar unido em torno de uma mesma causa não significa pertencer a um grupo de pessoas sem defeitos, donos da verdade ou detentores exclusivos da razão. O campo progressista, assim como qualquer outro segmento político, também precisa reconhecer suas contradições. Não basta condenar listas de exposição e perseguição política se, em outros momentos, seus próprios integrantes defendem práticas semelhantes contra quem pensa diferente.

A intolerância não deixa de ser intolerância quando muda de lado.

A recente circulação de lista com nomes de pessoas e estabelecimentos comerciais supostamente identificados com determinada posição política evidencia um problema que ultrapassa as diferenças ideológicas. O direito de escolher, manifestar opiniões e defender posições políticas não pode resultar em ameaças, constrangimentos ou tentativas de prejudicar a atividade profissional e econômica de cidadãos.

Medidas judiciais contra os responsáveis por práticas dessa natureza são legítimas e necessárias, quando cabíveis. Mas a resposta não pode se limitar aos tribunais. A disputa também precisa acontecer no campo das ideias, da informação e da participação democrática.

Há um desafio ainda maior: compreender o comportamento de milhões de brasileiros que aderiram a discursos radicalizados. Em vez de tratar todo adversário como inimigo irrecuperável, é preciso reconhecer que parte dessa população foi exposta a um ambiente de desinformação, medo e radicalização. O enfrentamento desse cenário exige educação, informação, diálogo e, em determinadas situações, atenção à saúde mental, sem transformar divergências políticas em diagnósticos ou patologias coletivas.

As redes sociais serão um dos principais campos dessa disputa. A esquerda e o centro democrático precisam compreender que não basta ocupar espaços durante o período eleitoral e depois desaparecer. É necessário manter presença permanente, produzir conteúdo, apresentar argumentos e participar das discussões que movimentam a sociedade.

Associações de moradores, entidades de classe, organizações não governamentais, movimentos comunitários e instituições sociais são espaços legítimos de participação. A democracia não se constrói apenas nos partidos, nos gabinetes ou nos palanques. Ela também se fortalece no cotidiano das comunidades.

O debate sobre a divisão social brasileira também precisa considerar as desigualdades econômicas. Existe uma contradição recorrente na política nacional: durante as campanhas, trabalhadores de diferentes condições sociais são convocados a caminhar juntos, mas, depois das eleições, nem sempre recebem o mesmo tratamento. O discurso de união pode esconder preconceitos de classe, raciais e regionais que permanecem presentes nas relações sociais.

Um episódio aparentemente simples ajuda a ilustrar essa contradição: um trabalhador que caminha pela rua, vestindo a camisa da seleção brasileira, encontra um casal em melhores condições econômicas e manifesta entusiasmo político. O casal concorda, sorri e segue viagem em seu automóvel de alto valor. A cena, por si só, não permite conclusões sobre aquelas pessoas, mas simboliza uma questão importante: será que a união defendida nos palanques permanece depois que os votos são contabilizados?

A democracia brasileira também precisa reconhecer a diversidade de seu povo. Nordestinos, sulistas, trabalhadores urbanos e rurais, empresários, religiosos, ateus, judeus, palestinos, brasileiros de diferentes origens e pessoas de diferentes convicções fazem parte do mesmo país. Nenhuma região, classe social ou corrente ideológica tem o direito de reivindicar para si a propriedade do Brasil.

A vitória eleitoral de um projeto político não representa autorização para humilhar os derrotados. Da mesma forma, a derrota não justifica perseguições, ameaças ou tentativas de deslegitimar a escolha popular.

Também merece reflexão o papel das instituições religiosas. A fé, quando orientada pelo amor ao próximo, pela solidariedade e pelo respeito, pode contribuir para aproximar pessoas. Entretanto, quando discursos religiosos são utilizados para alimentar o ódio, estimular a perseguição ou justificar a violência contra adversários, há um distanciamento dos próprios princípios de fraternidade que deveriam orientar essas comunidades.

O Brasil não precisa de mais intolerância, independentemente de sua origem ideológica ou religiosa. Precisa de lideranças capazes de compreender que adversários políticos continuam sendo cidadãos, com direitos e dignidade.

O próximo ciclo político exigirá mais do que mobilização eleitoral. Exigirá organização social, presença nos territórios, capacidade de comunicação e disposição para enfrentar o debate público sem reproduzir os mesmos métodos que se pretende combater.

A democracia não se sustenta apenas quando vence o próprio grupo. Ela se prova justamente quando reconhece o direito de existência, expressão e participação daqueles que pensam diferente.

No fim, o Brasil pertence a todos. E nenhuma disputa política será verdadeiramente democrática enquanto uma parcela da população acreditar que tem o direito de excluir outra da vida social, econômica ou política do país.

ACORDO FORMALIZADO

O acordo político para a Mesa Diretora da Câmara de Balneário Arroio do Silva no biênio 2027–2028 foi formalizado nesta quinta-feira (29), com o protocolo do requerimento da chapa. Pelo entendimento firmado, Maykon Campos de Oliveira (PSD) presidirá o Legislativo em 2027, enquanto Maykon Viana dos Santos (PSD) assumirá a Presidência em 2028. A composição prevê ainda Elvio Zocche (PP) como 1º secretário e Greyce Copetti (MDB) como 2ª secretária. O acordo conta com o aval dos vereadores Márcio Macan (MDB) e Clailton Oliveira (PL), consolidando um entendimento entre parlamentares de quatro partidos para a condução do Legislativo municipal.

 

 

PAD EM MARACAJÁ

A Prefeitura de Maracajá instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar eventual responsabilidade funcional de um servidor público municipal. A medida, assinada pelo prefeito Aníbal Brambilla por meio do Decreto nº 135/2026, atende a uma requisição do Ministério Público de Santa Catarina (MPSC). A comissão responsável terá prazo inicial de 60 dias para concluir os trabalhos, podendo haver prorrogação. O decreto não detalha os fatos investigados nem identifica nominalmente o servidor. O procedimento deverá assegurar o contraditório e a ampla defesa.

 

CARGO EM COMISSÃO

O prefeito de Araranguá, Cesar Antonio Cesa, nomeou Talisson Machado de Souza (MDB) para o cargo em comissão de Diretor de Tecnologia e Inovação da Prefeitura. A nomeação consta no Decreto nº 13.383, de 26 de outubro de 2026, publicado no Diário Oficial dos Municípios no dia 27. O cargo integra a estrutura administrativa municipal e está previsto na Lei Complementar nº 536/2025. Talisson antes era diretor da Escola de Educação Básica Municipal (E.B.M.) Otávio Manoel Anastácio.

UNESC - Multi Graduação
Prolincon
ALESC - Em Respeito as Nossas Raizes
Geração Solidária — Outubro
Pelegrini Advocacia
Balneário Gaivota — Cidade das Passarelas
Bela Web Hits
CDL CONCURSO NATAL
Anuncie na POST TV
Anuncie na POST TV
Everaldo Silveira Colunista Everaldo Silveira Jornalista e comentarista político, com mais de duas décadas de atuação na imprensa do Sul de Santa Catarina. Ao longo da carreira, passou por veículos como Imprensa do Vale, Jornal Sem Censura, Sul Catarinense e Tribuna de Notícias, construindo uma trajetória marcada pela cobertura política e pelo acompanhamento dos principais acontecimentos da região. No rádio,… Ver colunas →
ALESC - Em Respeito as Nossas Raizes
UNESC- Multi Graduação

▍ Mais lidas

  1. Governo de SC assina ordem de serviço para pavimentar a SC-108 entre Praia Grande e Jacinto Machado
  2. Empregador que praticar assédio eleitoral pode ter de reintegrar funcionário e pagar salário em dobro
  3. Vereadores de Araranguá levam sete prioridades da Amesc à bancada federal em Brasília
  4. Balneário Gaivota terá a maior delegação de sua história nos Jogos Escolares do Vale do Araranguá
  5. Praia da Caçamba recebe ordens de serviço para pavimentação e construção de deck

▍ Leia também

▍ Deixe o seu comentário

O seu e-mail não é publicado. A POST TV pode remover comentários com ofensa, discurso de ódio ou desinformação.

Anuncie na POST TV

Sua privacidade na POST Medimos quais matérias são lidas para melhorar o POST TV. O dado fica aqui no nosso site e não é compartilhado com ninguém. Política de Privacidade