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Combate à hanseníase reforça alerta para diagnóstico precoce e enfrentamento ao estigma

Celebrado neste ano em 25 de janeiro, último domingo do mês, o Dia Mundial de Combate e Prevenção à Hanseníase reforça a importância da conscientização, do diagnóstico precoce e do enfrentamento ao estigma ainda associado à doença. O objetivo da data é sensibilizar a sociedade para a eliminação da hanseníase como problema de saúde pública, além de fortalecer a qualificação da assistência. A doença tem cura, e o tratamento é gratuito, seguro e oferecido pelo Sistema Único de Saúde (SUS).

A hanseníase é uma doença infectocontagiosa causada por bactéria, transmitida principalmente por secreções respiratórias e pelo contato íntimo e prolongado com pessoas não tratadas. Entre os principais sintomas estão manchas esbranquiçadas ou avermelhadas na pele com perda ou diminuição da sensibilidade, dormência, formigamento, redução da força muscular em mãos, pés ou pernas, além de queda de pelos e ressecamento da pele.

A identificação dos sinais ainda na fase inicial é fundamental, pois o diagnóstico e o tratamento oportunos evitam a progressão da doença, o surgimento de incapacidades físicas e a transmissão para outras pessoas.

No Brasil, a hanseníase permanece como um desafio de saúde pública. O país ocupa a segunda posição mundial em número de casos novos. Em 2024, foram notificados 22.129 casos na população geral, com taxa de detecção de 10,41 casos por 100 mil habitantes, considerada de alta endemicidade pelo Ministério da Saúde. Do total, 921 casos foram diagnosticados em menores de 15 anos.

Santa Catarina apresenta uma das menores taxas de detecção do país, situando-se entre média e baixa endemicidade. Em 2024, o estado registrou 128 casos, correspondendo a uma taxa de 1,59 caso por 100 mil habitantes, sendo quatro em crianças.

Serviço especializado em Santa Catarina

Para garantir assistência qualificada, Santa Catarina conta com um serviço de referência estadual em hanseníase. O Hospital Santa Teresa, localizado em São Pedro de Alcântara, oferece atendimento especializado a pacientes com dúvida diagnóstica, reações hansênicas, neurite ou resposta inadequada ao tratamento.

O cuidado é realizado tanto em regime ambulatorial quanto por meio de internação hospitalar, quando indicada, com atuação de uma equipe multidisciplinar composta por médicos, enfermeiros e fisioterapeutas. A unidade também desempenha papel estratégico na formação e capacitação de profissionais de saúde, com residência médica em dermatologia e ações permanentes de qualificação em todas as regiões do estado.

Apesar dos indicadores positivos, o diagnóstico tardio ainda representa um desafio. Em 2024, 16% dos casos novos em Santa Catarina foram diagnosticados com grau 2 de incapacidade física, caracterizado por sequelas visíveis e incapacitantes. Segundo o Ministério da Saúde, percentuais acima de 10% indicam diagnóstico tardio e possível prevalência oculta da doença.

“Uma das principais estratégias para o diagnóstico precoce é o exame de contatos — pessoas que convivem ou conviveram de forma próxima e prolongada com casos de hanseníase. Em 2024, 78,2% dos contatos dos casos novos em Santa Catarina foram avaliados, índice que evidencia a necessidade de fortalecer as ações de vigilância, acompanhamento e cuidado contínuo”, destaca a infectologista Regina Valim, da Diretoria de Vigilância Epidemiológica.

Dados preliminares de 2025, extraídos do Sistema de Informação de Agravos de Notificação (Sinan Net), apontam 121 casos novos na população geral, sendo dois em menores de 15 anos. Do total avaliado quanto ao grau de incapacidade física no diagnóstico, 16,7% apresentaram grau 2. A proporção de cura registrada é de 66,5%, e 74% dos contatos dos casos novos foram examinados. Os dados ainda estão sujeitos à atualização até o fechamento da base oficial.

Da doença à cura

A evolução da hanseníase costuma ser lenta, podendo levar dois anos ou mais para que os sintomas se manifestem após a infecção. A doença é de notificação compulsória em todo o território nacional, com investigação obrigatória.

Após a alta por cura, é recomendado o acompanhamento clínico periódico dos pacientes, especialmente para identificação de reações tardias, monitoramento e manejo de sequelas físicas, além de orientações sobre autocuidado e promoção da qualidade de vida.

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