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Obras paralisadas: deputados e prefeitos cobram cronograma do Estado

Com o plenário lotado, a audiência pública organizada pela Comissão dos Assuntos Municipais da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, serviu para que deputados estaduais e prefeitos pudessem cobrar do Governo do Estado um cronograma para o pagamento das transferências especiais (apelidadas de Pix, incluídas as do Plano 1000) e dos convênios firmados na gestão anterior, cujos repasses foram suspensos no atual governo.

O assunto mobilizou mais de 100 prefeitos de Santa Catarina, dezenas de vereadores e lideranças políticas de todo estado, em um encontro que movimentou o parlamento nesta terça-feira, dia 30.

Responsável pela condução da audiência, o deputado Tiago Zilli (MDB), presidente da Comissão de Assuntos Municipais, entregou ao secretário de Estado da Fazenda um diagnóstico completo, elaborado pela comissão, das obras que estão paralisadas e em andamento, em função da suspensão dos repasses. O parlamentar também cobrou do Estado um cronograma para o desembolso dos recursos.

“Essa audiência é apenas o início de um trabalho”, disse.

“A comissão vai acompanhar todo esse processo, para encontrarmos, em conjunto, uma solução. Queremos ser parceiros do Governo do Estado, mas precisamos do cronograma de desembolso, pois obras paralisadas representam prejuízos financeiros ao estado, aos cidadãos. Continuaremos a fiscalizar o cumprimento de todas as transferências e convênios.”

O deputado também elogiou o gesto do governador Jorginho Mello que está percorrendo as 21 regiões para dialogar pessoalmente com os prefeitos, no entanto pediu maior celeridade quanto aos repasses.

“Precisamos sair daqui com definições. O que os prefeitos e nós deputados esperamos é um cronograma para repasses paralisados”, afirmou Zilli.

Governo do Estado pede compreensão e mais tempo

Os secretários de Estado da Fazenda, Cleverson Siewert; da Casa Civil, Estêner Soratto Junior; e da Infraestrutura, Jerry Comper, que participaram da audiência, pediram a compreensão dos prefeitos, que por sua vez solicitaram a imediata retomada dos repasses, em virtude de obras já iniciadas e paradas que prejudicam os municípios e geram reclamações da população.

“Pedimos a compreensão, a empatia para organizar esse processo para cumprirmos tudo aquilo que foi combinado”, afirmou Siewert.

Segundo o secretário da Casa Civil, para este ano, o Estado tem R$ 2,3 bilhões para pagar aos municípios. No entanto, por questões financeiras e legais, ainda não é possível afirmar se esse valor será cumprido. Siewert lembrou que o atual governo lançou um plano de ajuste fiscal, tendo em vista que o crescimento de arrecadação registrado em 2021 e 2022, segundo o secretário, não se repetirá nos próximos anos.

“Nos últimos anos, os estados tiveram recursos extras e temporários, em função da pandemia e de outros fatores. Mas, em Santa Catarina, transformaram receita extra e temporária em despesa continua, mesmo sabendo que essas receitas não vão mais acontecer.”

Providências

Soratto explicou que o modelo de transferência por Pix foi paralisado por orientação do Ministério Público, do Tribunal de Contas e da Controladoria-Geral do Estado.

“Não havia controle do que estava se pagando”, disse o secretário.

“Perderam a mão no ano passado, prometeram aos prefeitos muito mais do que o caixa do Estado poderia suportar neste ano,”afirmou.

Para resolver o problema, segundo Soratto, o governador Jorginho Mello (PL) tem visitado as 21 associações de municípios do Estado para conversar com os prefeitos e explicar a forma como serão retomados os repasses. O objetivo é concluir esse trabalho em 45 dias.

“Está se decidindo em conjunto com os municípios, o que o Estado pode pagar em 2023 e o que pode ser deixado para 2024,”fala.

O secretário Jerry Comper disse que compreende a apreensão dos prefeitos com a paralisação das obras, e garantiu celeridade na solução do problema. “Vamos trabalhar com seriedade, sem mentiras, vamos tratar somente daquilo que podemos cumprir,” garante.

Prefeitos querem definições

Prefeitos, vice-prefeitos e vereadores de todo o estado participaram da audiência, que durou mais de duas horas e meia. Eles demonstraram preocupação e angústia. A presidente da Federação de Consórcios, Associações e Municípios de Santa Catarina (Fecam), Milena Andersen Lopes, pediu celeridade nos pagamentos e colocou a entidade à disposição para a construção de soluções ao problema.

O prefeito de Blumenau, Mário Hildebrandt, reconheceu o direito do governo em reavaliar os contratos celebrados na gestão passada, mas cobrou do Estado a compreensão da necessidade de concluir obras estruturantes que estão paralisadas e comprometem a qualidade de vida da população local.

“Os prefeitos seguiram rigorosamente a legislação para essas transferências e convênios”. “Precisamos ter um cronograma efetivo desse repasse, que já está atrasado,”ressalta.

O prefeito ilustrou ainda que em abril deste ano já poderia ter enviada a documentação ao estado, no entanto, não conseguiu cadastrar no sistema da secretaria da Fazenda o projeto, porque o governo ainda não liberou essa possibilidade.

Na mesma linha, os prefeitos de Santa Rosa do Sul, Almides da Rosa, e de São Joaquim, Giovani Nunes, pediram que o que foi celebrado entre o Estado e o município, independente do governador, seja cumprido.

“Precisamos receber esses recursos, mesmo que de forma parcelada, até para dar tranquilidade às empresas que estão trabalhando nas obras”, disse Rosa.