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Carros roubados servem para tráfico ou desmanche

Quem já teve seu carro furtado, sabe que a sensação não é nada boa, mas a cada dia, isso acontece em algum ponto e na região Sul não é diferente. Os números registrados na delegacia de Sombrio são pequenos, o que dá certo alívio ao delegado responsável pela Polícia Civil, Luís Otávio Pohlmann. “Em Sombrio são registrados mais furtos que roubos. Em 2018 foram 55 furtos, 14 roubos de veículos, e até agora 11 furtos e um roubo. Pode-se dizer que houve uma queda considerável. Já em Balneário Gaivota, foram registrados seis furtos e nenhum roubo em 2018, e em 2019 só tivemos um furto”, relata Pohlmann.
Ainda segundo ele, os automóveis antigos são os mais ameaçados, já que são mais fáceis de serem arrombados. “A não ser que o motorista esqueça o carro aberto ou com a chave. Já na questão de roubo, há violência, e esse tipo de crime não é tão comum em Sombrio e Balneário Gaivota”, acrescenta o delegado.
Sobre a diferença entre roubo e furto, Pohlmann explica que a distinção acontece no modo como os crimes são praticados, já que roubo envolve violência ou ameaça, e ocorre quando a vítima está junto do objeto a ser roubado. No caso de furto, o ladrão apenas pega aquilo que deseja e some sem ser visto. As motivações, no caso dos furtos de carros, também são diferentes das dos roubos. “Os furtos em geral são praticados para fomentar o tráfico de drogas e uso de entorpecentes pelos autores dos crimes. Já em relação ao roubo de veículos, embora parte deles seja também para o tráfico, percebemos a intenção dos autores de conseguir os veículos para levar a desmanches da região para que sejam comercializadas as peças no comércio ilegal”, explica.
Ao analisar os números expostos pelo delegado, é possível perceber que 2019 começou com menos casos de furto e roubo na delegacia sombriense. Aliás, segundo o delegado, os índices já são pequenos e encolheram graças ao empenho dos agentes. “A diminuição, entendo que seja por causa do trabalho desenvolvido pelas polícias, de pronta resposta e recuperação e apreensão do produto do roubo. Em relação a entender que o número de roubos na região não é grande, é mais uma análise em comparação em outras cidades, onde percebo números maiores”, completa.

Araranguá

Em Araranguá, a Polícia Civil também já verificou que os furtos envolvem carros de menor valor, assim como em Sombrio. Porém, os bandidos costumam focar seus esforços nos furtos de um determinado modelo, já pensando no tráfico de drogas. “Percebemos que os veículos mais valorizados pelos criminosos são as camionetes, que é um veículo que pode ser trocado em outras regiões e costuma ser usado para o transporte de entorpecentes de uma região para outra”, explica o delegado, Lucas Fernandes da Rosa.
Os desmanches de carros também são grandes responsáveis pelo número de carros furtados no município, servindo para abastecer o mercado ilegal que é bastante estruturado. “Outras vezes nos deparamos com furtos de veículos que vêm de outras regiões e acabam chegando ao município e servem para serem desmanchados e servirem de receptadores em mercado ilegal”, comenta o delegado, que completa: “Há poucos dias encontramos um desmanche de veículos em que o indivíduo, que tinha receptado um veículo do Rio Grande do Sul, tinha como objetivo vender as peças. Isso é muito frequente, e há até organizações criminosas por detrás destas operações na escolha de determinados carros para abastecer o mercado de peças”.

Fotos: Divulgação/Arquivo