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Adesão ao GNV continua após aumento dos combustíveis

A semana começou com um novo aumento no setor dos combustíveis e para economizar, muita gente acaba buscando alternativas na hora de encher o tanque. Uma delas é a conversão dos veículos para GNV, combustível que é mais barato que a gasolina. Na mecânica em que trabalha Milton Costa, a cada vez que os combustíveis aumentam nas refinarias, o número de clientes buscando a conversão também cresce. Em dez anos de trabalho, a quantidade de kits GNV instalados partiu de 2 por semana para algo entre 10 e 15 atualmente. “Com o novo aumento, já estamos nos preparando para futuras instalações”, comenta.
Ele diz que os valores variam, partindo de R$2.600,00 para a instalação de um cilindro. Com o equipamento, Milton garante que a economia pode chegar a 50%.
Davison Roussent, engenheiro mecânico, não está tão otimista. Ele trabalha em uma empresa de inspeção, e já viu tempos melhores para quem instala os kits. “Até o aumento, a procura estava sendo razoável. Mas acho que vai diminuir um pouco a procura. Até porque, não é só ir colocar, tem todo um processo”, comenta.
Isso ocorre, segundo ele, porque a diferença entre o preço do GNV e da gasolina não está tão grande como já foi. “De acordo com a última tabela, o gás aumentou um real, praticamente, de quinta para sexta-feira”, argumenta.
Fazendo inspeções desde 2008, a empresa teve picos de maior número de atendimentos. O recorde teria sido na época da greve dos caminhoneiros, em 2018. “O pessoal ficou praticamente sem gasolina, aí vieram muitos pro GNV. Ele tem seu pico anual, mas vai mudando conforme sobe a diferença entre o GNV e a gasolina, e o período em que entramos agora é um em que a diferença vai cair”, comenta.
Roussent acrescenta que, antes do último aumento, para ser vantajoso instalar o kit o proprietário do carro deveria rodar 3.500 quilômetros por mês, ou permanecer mais de três anos com o veículo. Isso, porém, mudou. “A gasolina também vai aumentar, então, tem que ser calculado se vale a pena instalar o GNV ou não”, encerra.
Nos 13 anos em que Aliel atua no setor de combustíveis, a adesão dos clientes do posto que ele gerencia ao GNV cresceu cerca de 40%. Ele diz que em alguns casos, a vantagem econômica chega a ser de 44% frente à gasolina e de 55% frente ao etanol. No entanto, o novo aumento não tem causado o efeito normal. “Sempre que tem aumento no combustível líquido, o pessoal opta pelo GNV, mas agora, eles têm rejeitado um pouco”, conta.
O gerente diz que, dos 600 carros que em média vão ao posto diariamente, 40% abastecem no GNV. “Você ganha no quilômetro e no preço. A autonomia é melhor no GNV”, conclui.
De acordo com a Petrobras, a gasolina aumenta, em média, R$ 0,16 (6,3%), fazendo com que o litro do combustível saia de R$ 2,53 e chegue a R$ 2,69 nas refinarias.
O diesel tem preço médio de R$ 0,10 (3,7%) por litro, e passa a custar R$ 2,81 nas refinarias da Petrobras. O gás de cozinha (GLP) para as distribuidoras sobe R$ 3,60 por quilograma (kg), refletindo um aumento médio de R$ 0,20 por kg.

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