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Esquema de venda de diplomas falsos chega a servidores públicos de SC e vira alvo de investigação
Reportagem da Post TV teve acesso a documentos, conversas e confirmou que três servidoras obtiveram progressão funcional com supostos diplomas irregulares. Secretaria da Educação instaurou Processo Administrativo Disciplinar para apurar o caso.
A promessa é tentadora: comprar um diploma de graduação, pós-graduação, mestrado ou doutorado, emitido em nome de universidades reconhecidas pelo Ministério da Educação (MEC), sem frequentar uma única aula.
Em poucos dias, segundo os anúncios, o comprador receberia um diploma “válido”, acompanhado de histórico escolar, certificado e até registros que aparentam autenticidade.
A Post TV investigou esse mercado clandestino e descobriu que a fraude pode ter ultrapassado o ambiente virtual e chegado ao serviço público catarinense.
A reportagem teve acesso, com exclusividade, a documentos internos da Secretaria de Estado da Educação (SED) que apontam que três servidoras lotadas na Coordenadoria Regional de Educação de Araranguá obtiveram progressão funcional após apresentarem diplomas de Doutorado em Educação supostamente falsificados.
As progressões foram publicadas no Diário Oficial do Estado em 2 de junho deste ano e resultaram em incremento salarial estimado em aproximadamente R$ 3,5 mil mensais para cada servidora.
Como funciona o esquema?
Durante a investigação, a equipe da Post TV simulou a compra de um diploma.
Após localizar um anúncio na internet, a reportagem entrou em contato, por WhatsApp, com o número indicado pelo suposto vendedor.
Nas mensagens, o interlocutor oferece um Diploma de Doutorado em Educação por R$ 3.800.
Segundo ele, o pagamento somente seria realizado após o comprador conferir que toda a documentação estaria “pronta”.
O vendedor ainda afirma que o diploma seria entregue pelos Correios, acompanhado da documentação física e arquivos digitais.



Promessa de autenticidade
Questionado sobre a validade do documento, o vendedor garante que o diploma teria todos os registros necessários.
Em uma das mensagens obtidas pela reportagem, afirma:
“A documentação terá todos os registros cabíveis.”
Em seguida, reforça:
“Pode usar tranquilamente que não terá problemas.”
Ao ser perguntado se o diploma seria emitido na modalidade presencial ou EAD, a resposta foi ainda mais explícita:
“Sairá como se tivesse feito na modalidade presencial.”
O suposto vendedor também promete apresentar uma consulta em um portal de registros antes do pagamento, como forma de convencer o comprador da autenticidade da documentação.
As conversas obtidas pela reportagem mostram ainda que todo o processo seria concluído em até quatro dias úteis.


Universidade desmente qualquer vínculo
A investigação ganhou novo rumo após a Secretaria da Educação desconfiar da autenticidade dos documentos apresentados pelas servidoras. Uma das inconsistências identificadas estava no histórico escolar. Segundo documentos internos da SED, duas dissertações apresentavam exatamente o mesmo título, fato que despertou suspeitas.
A Secretaria então entrou em contato com a Universidade Paulista (UNIP).
O Departamento Jurídico da instituição respondeu oficialmente que a universidade não oferece cursos de Mestrado nem Doutorado em Educação.
Em entrevista à Post TV, a chefe do Departamento Jurídico da UNIP, Cristiane Bellomo de Oliveira, confirmou que os diplomas apresentados não pertencem à universidade e negou qualquer parceria com empresas que prometem emissão facilitada de certificados acadêmicos.
Segundo ela, a alegação divulgada pelos responsáveis pelo site — de que trabalham com parceiros credenciados dentro da universidade — não procede.
Secretaria abre Processo Administrativo
Depois da confirmação da irregularidade, a Secretaria de Estado da Educação instaurou um Processo Administrativo Disciplinar (PAD) para apurar a conduta das três servidoras.
A Corregedoria da SED investiga se houve utilização de documentação falsa para obtenção da progressão funcional.
A reportagem apurou que uma das servidoras chegou a protocolar, no dia 8 de julho, um pedido para cancelar a ascensão funcional obtida com o título de doutorado.
No requerimento, ela solicitou a retirada da titulação registrada em sua ficha funcional.
Entretanto, o pedido não foi acolhido naquele momento, já que o processo administrativo já estava instaurado para apuração dos fatos.
Contraponto
A reportagem procurou as três servidoras citadas no procedimento administrativo.
Uma delas atendeu à ligação e informou que não se manifestaria sobre o caso.
As outras duas foram contatadas por aplicativo de mensagens, mas não responderam até o fechamento desta reportagem.
O caso segue sob apuração administrativa e poderá resultar em outras medidas, caso sejam constatadas irregularidades.
A utilização de documento falso pode configurar crime previsto no Código Penal, além de acarretar sanções administrativas, civis e eventual devolução de valores recebidos indevidamente, caso haja decisão nesse sentido pelos órgãos competentes.
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