Depois de um início turbulento, marcado por incertezas em relação a causa animal, enfim a Administração de Araranguá parece que conseguiu acalmar os ânimos dos protetores e definir uma agenda que atende suas reivindicações. Aconteceu uma reunião na manhã deste sábado, 3, com a presença de representantes da Prefeitura, Fama, Samae, Polícia Militar, Polícia Civil e Câmara de Vereadores.

 

Araranguá

 

Maureci Rodrigues, superintendente da Fundação Ambiental do Município de Araranguá – FAMA, abriu a reunião e fez um resumo da situação atual e de como a Administração está se preparando para atender às necessidades dos protetores, os cuidados que serão dados aos animais de rua para evitar a proliferação de animais sem dono.

Neste final de semana, acontece uma castração particular, a chamada castração social,  no sábado, 10 e domingo, 11, e que será feita pela mesma empresa que venceu a licitação para o mutirão de final de semana. O valor será subsidiado para famílias de média renda. A castração social custa de R$ 350 a R$ 700,00, dependendo do peso do animal. A pedido da Administração esta castração será no valor de R$ 130,00 a R$ 180,00, e será feita pela clínica conveniada ao município, na Casa do Agricultor.

O mutirão de castração, que acontece dias 19 e 20 de Abril, será totalmente organizado pela FAMA e será totalmente gratuito. As inscrições serão na própria Fundação Ambiental. 

Em um primeiro momento, já estão garantidas as primeiras 100 castrações. Para atender esta demanda que agora está acumulada, serão atendidos primeiro os animais de rua não castrados, os que foram recolhidos pelos protetores de animais, os que estão de posse dos acumuladores e de protetores, também os que estão junto às famílias em vulnerabilidade social – que não tem condições de pagar pelo procedimento. 

 

Outra questão que ficou encaminhada é a parceria com o Samae para que sejam retomadas as doações

Da acordo com Jairo do Canto Costa, diretor do Samae, foi feito contato com empresários e alguns já se prontificaram a fazer doação para ajudar a causa animal. “Não há limite máximo ou mínimo de valor, mas por bom senso, precisa ser um valor que compense os custos para manter a execução deste projeto”, disse.

Além disso, Costa disse que a autorização no Samae precisa ser assinada pelo titular da conta para evitar problemas futuros. Deverá haver uma pessoa destacar para cuidar do assunto dentro da autarquia. “Em 6 meses deveremos ter um resultado mais concreto”, conta.

A prestação de contas, deverá ser feita através da transparência da Administração.

De acordo com o presidente da Câmara, Diego Pires (PDT), é preciso rever a legislação da gestão anterior, que partiu de um projeto do ex-vereador Igor Gomes (PL), para que haja uma mudança na forma de arrecadação – que deixe de ser obrigatória e passe a ser de forma voluntária. 

Segundo Rony da Silva, secretário de Administração, já há recursos definidos para as castrações. Falou ainda da política de controle de animais de grande porte – que não existe, está sem controle – na licitação para as castrações, construção das baias. Disse que a situação da saída de Flávia Cândido da Fama teve outras razões, que não explicou. Disse ainda que a Lei Federal 173 congelou a criação de cargos, o que pode criar dificuldades.

O vereador, Nelson Soares (PDT), colocou-se à disposição na Câmara de Vereadores para debater não apenas este tema, mas tudo que for de interesse da sociedade. Ele colocou ainda que quem desova os animais, abandonando os bichos nas ruas, acabam causando problemas sociais graves.

O major da Polícia Militar, Zanette, respondeu a dúvidas dos protetores sobre a atuação da Polícia para proteger animais em situação de risco, além de informar sobre a atuação em caso de maus tratos, e no atendimento de denúncias de animais violentos. Zanette citou a teoria das “janelas quebradas”, como forma de manter a cidade limpa, organizada, na prevenção para evitar problemas maiores.

A vereadora Lena Périco (MDB), líder do governo na Câmara, aproveitou a presença de um significativo grupo de protetores para se desculpar em relação a discussão que houve no final de Março na Câmara de Vereadores e disse que irá atuar para a criação do Departamento de Proteção Animal na Fama. “Temos uma verba de R$ 100 mil do deputado Weber para o próximo ano. Queremos ter uma casa de passagem, não um canil, que não é viável. Temos que atuar nas castrações e criação de políticas, como a do Cão Comunitário. A Casa do Oleiro irá construir casinhas para os cães de rua”, contou.

Próximos passos

Para Maureci, além de ser uma causa social, é preciso trabalhar na conscientização da sociedade e fazer denúncias em caso de maus tratos. “Colocamos uma veterinária, a Marina, para atender vocês, receber os animais que chegam. Renovamos o convênio com Dr. Saul e vamos restabelecer o telefone para contato”, disse.

De acordo com ele, o projeto social, das castrações, contará com apoio da Casa do Agricultor, a chamada tarifa social, que terá um preço diferenciado para as famílias de média renda, dias 10 e 11 de Abril.

Já, para os mutirões da FAMA, que acontecem dias 19 e 20 de Abril, as inscrições serão todas na Fundação e carecem da assinatura do superintendente.  

Em princípio, serão feitas as primeiras 100 castrações, depois vem a regulamentação das doações via conta do Samae. “Nossa atuação (da Fama) contará com o apoio do Corpo de Bombeiros, Policias Civil, Militar e Ambiental”. O passo seguinte é a efetivação do Departamento do Bem Estar Social.

De acordo com Márcia Lírio, da Ong SOS Bicho Urbano, é importante a abertura dada pela Administração, que permite a castrações de animais nos próximos finais de semana. Também participaram da reunião representantes da ONG Bom Pra Bicho, ONG Amigos dos Chico e mais protetores não associados. “O controle populacional vem pela educação. As castrações começaram em Araranguá em 2014, há 7 anos, e esterilizou 104 animais”.

Sobre a pergunta da protetora Grazi Freitas, em relação a possibilidade ajuda aos protetores para compra de rações, o superintendente da Fama disse que não poderia abrir porque não dariam conta de atender a demanda completa. Deve ser tratado caso a caso.

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