A redação da Post TV recebeu nesta terça-feira, dia 10, um arquivo de áudio gravado por uma eleitora flagrando um candidato a vereador negociando a compra de votos de eleitores que moram em outros municípios, mas tem que deslocar até Araranguá. Em tom tranquilo, ele calcula quantos votos deve conseguir e oferece R$70,00 por cada voto que consegue, depois aumenta a oferta. Confira a transcrição do áudio que tem 8 minutos e 34 segundos, quando a conversa ingressa em assuntos diversos, como se ninguém tivesse cometido um crime:

Candidato: Onde vota?
Eleitora: A (nome da filha)? Araranguá.
Candidato: (inaudível)
Eleitora: Não. Ela vem direto aqui para nós ir. Ela tá sem luz lá.
Candidato: Então, 2…4…5…6…
Eleitora: Aqui é 3. Eu, a (nome da filha) e meu marido.
Candidato: Teu maridão.
Eleitora 1: Isso.
Candidato: E tu? (para eleitora 2)
Eleitora 2: E aqui são 3. Eu levo meu marido. (inaudível) (risos)
Candidato: Oh, mas é bom. Homem não pode dar moleza. (risos) São 6. Seis vezes sete, 42.
Eleitora 1: Quanto é que tá… o senhor está coisando assim (pagando) cada voto.
Candidato: 70.
Eleitora 1: Setenta pila só cada voto? Não, muito pouco!
O candidato conta o dinheiro.
Eleitora 2: Nem cem pila, seu (nome do candidato)?
Eleitora 1: Ele vai tirando só assim, ó…
Eleitora 2: Seis votos, dá seiscentos reais.
Eleitora 1: Depois nós ainda vamos ter que pagar a gasolina.
Eleitora 2: É, vou pagar R$ 30,00 de Uber pra votar. Dá R$60,00.
Candidato: Ó, tô pagando 80. Ali seis, dá R$ 480,00, e tô pagando mais R$100,00 de gasolina.
Eleitora 1: Aqui dá a gasolina. Pega (nome da eleitora 2).
Candidato: Tem 300, 400, mais 600. Dá R$ 100 por voto.
Eleitora 1: Tá, vamos ver quanto é que sai. Bota ali.
Candidato: Já paguei R$100,00 cada um. Pode reparar.
Eleitora 1: Tá beleza.
Eleitora 2: (Inaudível)
Candidato: Mas eu não pago isso. Tô pagando para vocês, porque vocês moram em outro município. Não podem reclamar. Ninguém dá isso. Eu dei R$600,00.
Neste trecho do áudio, os três continuam falando do dinheiro, recontando as notas.
Eleitora 1: O senhor me deu esse aqui, e esse aqui para a gasolina. Tá certo agora? Vê se tá certo. O meu, o da (nome da filha) e do meu marido.
Candidato: Votem sempre para vereador primeiro, aperta no verde, e depois para prefeito, e aperta confirma.
Eleitora 1: (diz o número do candidato)
Neste trecho o candidato fala sobre evitar problemas com a polícia, [o áudio fica confuso, já que as vozes dos presentes se misturam]. A Eleitora 1 pergunta sobre levar uma cola para a urna, fato aprovado pelo candidato.
Candidato: Certo, minha linda?
Eleitora 1: Certo.
Eleitora 2: Certo. É só esperar o dia para a comemoração.
Eleitora 1: Mata um boi lá para nós comer, né?
Candidato: Não tem nem como pensar no boi, ainda não ganhei.
Eleitora 1: Olha aqui, desde quantas eleições você tá indo? Desde o começo eu voto em você.
Candidato: Eu acho que vou morrer na cadeira.
Eleitora: Eu estou com 44, 45…
Candidato: Eu tô completando agora 24 anos, de vereador. Seis eleições. Entrei em 1° de janeiro de 1997.
Eleitora 1: Em seis eleições, nós conhecemos ele.
Candidato: E tô terminando agora em 31 de dezembro.
Eleitora 2: Se não fosse bom, não tava lá.
Candidato: Eu queria sair fora… (inaudível)
Eleitora 1: Mas, seu (nome do candidato), acho que essa é a última eleição, depois se aposenta? Ou fica até quando querer?
Candidato: Não, já tô aposentado tem tempo.
Nesse momento, o candidato conta partes de sua história de vida, além de traçar planos para o futuro na política.
Candidato: Na outra eu vou tentar o Executivo, vou a prefeito ou vice. Nem que tenha que mudar de sigla.
O candidato ainda se vangloria dizendo que é mulherengo. “Eu gosto de mulher” e “não posso ver um rabo de saia”.
A conversa ingressa para assuntos diversos, como relações homossexuais, feminicídios e preconceito.

Segundo a Lei 9.504/97, a compra de votos é caracterizada quando há “a doação, o oferecimento, a promessa, ou a entrega, pelo candidato, ao eleitor, com o fim de obter-lhe o voto, de bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, inclusive emprego ou função pública, desde o registro da candidatura até o dia da eleição.” Se a irregularidade for reconhecida por sentença judicial, há a cassação do registro ou do diploma e a aplicação de multa.

O Código Eleitoral, no artigo 229, considera crime e prevê pena de reclusão de até quatro anos e pagamento de multa: “dar, oferecer, prometer, solicitar ou receber, para si ou para outrem, dinheiro, dádiva, ou qualquer vantagem, para obter ou dar voto e para conseguir ou prometer abstenção, ainda que a oferta não seja aceita.”

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