Humanidade confinada: a pandemia que é um teste de nossos sistemas, crenças, valores e da humanidade.

 

                                                                          Por Thayni da Silva Librelato[1]

 

Há décadas não havia um momento de tanta união como esse que estamos vivendo. Sim, essa crise vai passar, mas ninguém será o mesmo depois dela. A vida, definitivamente, está sendo revisada pela maioria e, inevitavelmente, nos levando a muitas reflexões.

O coronavírus deixará como legado diversos aprendizados. Forças e parcerias entre pessoas de nações diferentes, entre profissionais e suas empresas e entre famílias, que nunca antes pudesse ter sido imaginada. A busca desenfreada por capital, status e sucesso profissional também irá reduzir, porque as pessoas vão entender, definitivamente, que existem outras e mais importantes riquezas.

A riqueza familiar, a riqueza espiritual, a riqueza emocional, a riqueza do bem-estar e da saúde. As pessoas olharão mais para a sustentabilidade, para o bem-estar da natureza, para o clima, porque de nada importam milhões de dólares no mercado de capital, se o planeta e a humanidade não tiverem saúde e não puderem usufruir de tudo que criaram.

Haverá uma antecipação do comportamento da sociedade tanto no aspecto humano, quanto do aspecto tecnológico. Em se tratando de tecnologia, alguns pontos importantes já foram percebidos por muitas empresas e por muitas pessoas até o presente momento.

Vivemos em uma era digital, mas nunca se falou tanto em humanizar as relações. E o que estamos vivendo agora é a prova disso. Temos comprovado que de fato a tecnologia não existe para afastar as pessoas, muito pelo contrário, ela existe para encurtar distâncias. As relações estão sendo colocadas a prova, e começamos a observar que as pessoas próximas não são necessariamente as que convivemos diariamente, ou seja, existe humanização nesse ambiente de digitalização.

As pessoas se tornarão ainda mais tecnológicas, e não somente as que nasceram depois da década de 90 que terão necessidade, intimidade e convivência com a tecnologia e sim todas as faixas etárias. Ela ficará ainda mais forte. As empresas apostarão suas fichas cada vez mais na automação e na indústria 4.0, mas isso não significa que o capital humano não será mais necessário. Mas sim que ainda mais fundamental, pois será utilizado para dar direcionamento crítico e criativo.

Uma ideia disseminada pelo imaginário popular é a de que os robôs fazem muitas coisas boas, mas também podem fazer coisas muito ruins. De quem é a culpa? Nossa! Botões mal programados só podem ser corrigidos por humanos. Ou seja, bons humanos sempre serão necessários para desenvolver bons botões.

Isso significa buscar e formar profissionais que saibam como operar os novos sistemas e técnicas de produção e nesse panorama, mais do que nunca, o RH precisará investir no desenvolvimento da capacidade de se adaptar a mudanças, a novos contextos e inovar. Apesar do que muitos pensam, a indústria 4.0 não acabará com a gestão de pessoas, muito pelo contrário. Os profissionais encarregados de realizar a gestão de pessoas terão que buscar soluções para os novos desafios que estão por vir.

Se o mundo não renascer, vai no mínimo assumir uma outra roupagem. E repito: tanto no aspecto humano, quanto do aspecto tecnológico. Ao final de tudo isso eu creio que seremos melhores, e entenderemos que em meio ao caos, ao desespero, à incerteza, é o amor que mais nos fortalece e que nos dá vontade de seguir em frente e nos mostra as saídas certas. 

[1] Thayni da Silva Librelato é empresária, advogada, formada em Direito e Administração de Empresas pela Unisul, pós-graduada em Gestão Empresarial pela Unibave e Marketing pela Unisul. É Conselheira no  Conselho de Administração da Librelato S.A. Implementos Rodoviários e Presidente da Associação Empresarial de Orleans (ACIO). 

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